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PARINTINS


Em Parintins, a voadeira nos buscou na lagoa da Francesa, para dali subirmos o Amazonas.

Moço, óia só que começo, me lembrou inté o “Turista Aprendiz”, do Mário de Andrade. Fomos ladeando a cidade de Parintins, rio acima. Como lembrei do Mário, caí logo no Cascudinho, como ele se referia carinhosamente ao Câmara Cascudo. Um mais o outro, a voadeira batendo na água me tirou do fundo da memória o projeto que andei acalentando de juntar o Mário mais o Cascudo, numa expedição que eu fosse construindo os causos na trilha dos dois. Orientado por estes gigantes, sairia em uma expedição para conhecer, conversar e registrar o que continua sendo visto pelas pessoas que tem acesso aos seres que habitam os interiores do Brasil. Depois passar pra violinha e criar as novas histórias.

Lembrei do que me propus e deu uma vontade danada de retomar esse projeto. Fizemos meia volta em frente ao barracão do Boi Garantido, voltamos rio abaixo, mais fácil porque já tô acostumado a descer rio abaixo sinhá. Largamos a cidade para trás, nos enfiamos nos caminhos das águas, avistamos as populações ribeirinhas, cruzamos com as barcas grandes e pequenas levando menino pra escola, buscando querosene na venda, namorada encontrar namorado, os assuntos que nos movem. Voltei pro projeto, me enfiei na cachola viajando pelo Brasil, fiz as contas e concluí: se não for logo, não vai dar tempo. O corpinho já não tá assim tão determinado. Mas sei que muita energia me empurra para esse rumo.

Precisaria de um dinheirinho para tocar o projeto. Em 2014, quase convenci uma grande empresa a me jogar com todas as boas condições em dois anos de trabalho. Show, livro, disco, áudio e um bocado de material no resultado. Mas ficou no quase. Entonce me envolvi em outros assuntos. A verdade é que não conseguimos dominar com nosso barquinho o curso dos grandes rios, aí o jeito é pegar um igarapé, um furo na mata, e seguir. Lembrei no mesmo Turista Aprendiz que o Mário conta de suas viagens, sem qualquer financiamento. E comenta que precisaria trabalhar para juntar dinheiro e publicar o Macunaíma. Juntar dinheiro para ele, Mário de Andrade (!), publicar o Macunaíma(!!).

Seguimos entrando em um tanto de encruzilhada na água, conduzidos por nosso barqueiro, o Alexandre, na voadeira com motor de 15. Lá pelas tantas paramos em uma bela praia, que não fica longe de uma Comunidade na beira de um braço do Amazonas. Ficamos por ali, nadando, bestando. Apareceu um menino que me contou sobre a Juma, que é um ser que arranca árvores gigantes, “até já vi a pegada, ela não vi, não!, hum, a Juma desce aqui nesse baixão, ó, hum”. Apontou o rumo do sumiço da Juma. Mergulho no rio, o som da floresta é muito outro deitado nessa praia. Precisávamos voltar porque tínhamos o show mais à noite. Levi e eu, pelo incrível projeto Sonora Brasil.

Embarcamos. Alexandre ligou o motor. Puxou, mas ele não respondia. Uma vez, outra, outra mais. Afogou. Abriu aqui e ali, trocou o cano que conduzia gasolina, virou o galão, parafusou e desparafusou. O tempo correndo. Moiô. Ele disse. Como assim? Não vou conseguir consertar. O tempo passando. O show em Parintins, o compromisso. O sol já se adiantando pro poente, água na nossa frente, de todos os lados. Estava passando uma canoa. Chamou, eles vieram acudir. Era uma senhora embarcada que ia ao médico, lá em Parintins. Só cabia mais uma pessoa. Claro, tem que ser o Levi. Para poder tocar o show sozinho, eu não conseguiria fazer todo repertório. O Levi é mais arrojado. Lá ele buscaria ajuda. Nos deram um pacote de bolacha. O Levi fez essa foto. Essa aqui mesmo que a siora está olhando. Olha eu ali, procurando algum caminho, um barquinho, mas que não passasse pelo trilheiro da tal Juma que ia me destroçar. A canoa de motor, levando a senhora mais o Levi, sumiu numa curva do rio. Então Geraldo disse que ia tentar chegar na Comunidade a pé, pelo meio da mata. Falou que ia só. “Desculpe, mas o senhor pode me atrapalhar. Preciso ir ligeiro”. Tive que concordar. Fiquei sozinho com um pacote de bolacha. Sede não iria passar de jeito nenhum. Sede? Nesse inundamento do mundo?

Sentei-me num banco de areia. O tempo ia passando, a paisagem mudava de luz. Fui diminuindo de tamanho e aumentando de agonia. Mas carece de ter coragem. Não foi assim que o Rosa ensinou? Levantei e encarei a natureza. É isso? Então tá! Fico. Não volto mais. Toco esse projeto que me acalenta, e é agora. Começo por aqui mesmo, na Amazônia, não terei outra oportunidade melhor. Moço, dona, olha a foto. Estou me afastando, escurecendo e diminuindo dos lados. Cês lembram como ela era, a foto, digo? Pois aqui já tem a pegada da Juma, o jeito do menino falar, hum, e me levar pro canto da praia, escolhendo o caminho da alturinha dele mesmo que me fazia andar agachado para passar embaixo da cerca e do mato. O som da fala do menino, hum. Fico. O Levi dá conta. A família entende. Opa, o que é aquele vulto ali? Quieta, era só um silêncio brutal de gente nenhuma.

Sei que o Alexandre volta pra me buscar. Mas eu fico. A água está quente, abro o pacote de bolacha. Um sentimento de abandono decerto porque é tudo muito imenso à minha volta que chacoalha a emoção e empurra prum trabalho que poucos imaginam existir real na nossa terra e água. Mas sei que existe, demais. Fico feliz, quase animal. Olha de novo a foto, moço, já tô sumindo? Cês tão conseguindo enxergar o tanto de assunto que dorme por aqui? Estão escutando a violinha? Fico. E é tudo verdade!

Só que não... (ainda não).


Escrito por Paulo Freire ás 18h36 [ ] [ envie esta mensagem ]




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