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RONDÔNIA


Estou escrevendo impressões de nossa viagem pelo projeto Sonora Brasil no Facebook. Coloco nesse Blog também. Quem passar por aqui e quiser se aventurar nos comentários de lá, a alegria é toda minha.
O endereço do face é https://www.facebook.com/paulo.freire.75

Ji-Paraná e Porto Velho. Ah, cês não sabem como é bom pegar mais de 5 horas de van depois de um tanto de avião. Tô falando sério. A gente vê a paisagem com mais calma, para pra tomar café, conversa com o motora. E além de tudo, se houver algum problema na estrada tem acostamento, lá em cima não... Essa conversa agora vai ser meio longa, pois é o arremate de nossa viagem. Será que alguém segue invisível comigo e vai até o final? Explico:

Mora um sentimento de viola em muitas pessoas nesse mundo. E quando a gente encontra um tipo assim nem precisa de apresentação. Foi o que aconteceu com o Grego, em Ji-Paraná. Como se fôssemos amigos de infância, ele encaminhou o Levi Ramiro Silva juntamente com os mestres das violas singulares, Mauricio Ribeiro, Sidnei Duarte e Rodolfo Vidal, para pescar. Largou eles na beira da lagoa com todos os apetrechos e me levou para um passeio pela mata amazônica. Eu tenho normalmente um senso de orientação razoável, mas foi só me emaranhar em alguns cipós, arranhar na raiz de superfície das sete pernas, me humilhar frente a uma castanheira de 300 anos, que já não fiz a menor ideia de onde eu estava, pra onde era a saída da mata. Teve um barulho mais na frente, paramos quietos e vimos o movimento da paca, o tatu. E o que era aquela pegada mais bruta? Hummmm, nada não digo.

A floresta, a concentração na mata. A conversa girando em torno do que a gente desconhece. O cuidado e o risco. Qual o bicho que se deve enfrentar. Por que matar? O conselho da mãe do Grego quando via os meninos saírem para matar passarinho. “Se for para caçar tem que comer. Quem mata o que não se come, não perde por esperar”. Cês tão me seguindo aqui na mata? Cuidado pra não agarrar em espinho. A saída é ali, perto da samaúma florida no rosa. Mata, viola, pesca, entrevista às 6 da manhã na praça em frente à casa do Marechal Rondon, amigos novos pra sempre na corda da viola.

Partimos para Porto Velho. Moço, dona, vai ouvindo. Aqui eu corro ligeiro como passou o tempo. Primeiro: o Rio Madeira. Separa as duas palavras: rio; madeira. A siora dá conta dessas enormidades? Pegar um barco, descer e subir o rio. Parar na barragem da usina nova. Conselho: não olhem fotos antigas da Cachoeira de Santo Antônio. Não vejam a cachoeira que tinha ali antes da barragem. Claro que precisamos do benefício da usina, claro que só quem vive no conforto não percebe a falta absurda dos que não têm. Mas não olhem as fotos da cachoeira, a beleza enterrada embaixo das águas.

Para que filmem a tocha olímpica sendo carregada pelo Madeira, andaram tirando as balsas de garimpo da beira do rio. O mundo não pode ver. Espalhadas pelas margens, agora com a explosão de tantas pedras para fazer a barragem, o ouro se espalhou. E tome barcas, o mercúrio sendo jogado no rio. Meu querido amigo Marcelo Antoniazzi contou que em outros tempos eram as filas de barracas na margem, de puteiros e farmácias com as pessoas tomando soro por causa da febre amarela, pois hoje o quadro se espalha mais, pelos interiores, com a dengue, a chikungunya e ainda a febre amarela...

Talvez por causa do impressionante por do sol, pela barragem imensa, pelo rio Madeira ali represado, respirando, se preparando para a qualquer momento lavar com a sua fúria o que estiver à sua volta, sinto uma violência no ar. Debruço sobre a história da linha férrea Madeira Mamoré e a violência se confirma. Vejo os vagões abandonados, a mata cobrindo, os trilhos enferrujados e saio para andar. Desgovernado. Uma voz repete para mim: pare com isso, não ande onde não se conhece, presta atenção. Para que ir na direção do que sua intuição diz que não se deve? Até aonde eu confio que consigo ter uma certa invisibilidade em minhas caminhadas? Andar pela zona no fim da tarde, pelos trilhos já à noite. Ai ai ai. Ainda tem alguém me seguindo? Aqui, eu digo, porque ali em Porto Velho me deparei com um tipo.

Numa esquina, nas ruas do porto, um homem veio em minha direção e disse, me encarando: “A gente se encontrou de novo. Viu como Deus é grande?” Olhei firme para ele. “A pressão tá baixa. Paga um salgado aí pra mim”. Apontou para um bar. Entro ou não entro? Pus a mão no bolso e peguei uma nota. Ele: “Não quero seu dinheiro, não, ô! Paga um salgado e me dê essa pratinha!” Entrei no bar e pedi dois salgados. Dei a pratinha, uma moeda. O homem jogava a moeda de uma mão para a outra e dizia coisas incompreensíveis. Decerto eu perguntei sobre a estrada de ferro, porque, enquanto eu comia o salgado, o dono do bar foi me dizendo dos mortos empilhados pelas doenças na construção da Madeira Mamoré. E arrematou: “Veio muita gente de fora para trabalhar. Gente de fora não vive aqui dentro, por isso tanta morte”. Achei melhor ir embora, ligeiro.

Até quando vai funcionar a minha certeza de andar invisível, o que eu tinha de estar fazendo por ali? Que bando era aquele de gente, já de noitão, virada em corpo-seco, que levantava dos trilhos abandonados para pular o muro do Cemitério dos Inocentes. Por que a certeza desse nome? Do cemitério, digo.

Ah, moço, dona, vai ouvindo. No final do show em Porto Velho, Levi e eu comentamos que parecíamos inté artistas, tamanha fúria dos aplausos. Demos bis, voltamos para a conversa com as pessoas. Abraços, fotos, desejos de voltar. Voltamos para o hotel, cansados, aquele cansaço bom, de esvaziamento. Na manhã seguinte voamos para casa. Para nos preparar para o próximo giro do Sonora Brasil. Voltamos no dia 08 de julho. Eu aviso. Ufa, se alguém chegou até aqui, decerto vai ter a bondade de voltar a caminhar com a gente. Não abandonem a expedição. Pelas imensidades do Brasil e violência das belezas que nos espreitam. A companhia do siô e a siora é fundamental pra nossa coragem.

 


Escrito por Paulo Freire ás 15h21 [ ] [ envie esta mensagem ]




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