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A IRMÃ E A CUCA


Estou escrevendo impressões de nossa viagem pelo projeto Sonora Brasil no Facebook. Coloco nesse Blog também. Quem passar por aqui e quiser se aventurar nos comentários de lá, a alegria é toda minha. O endereço do face é https://www.facebook.com/paulo.freire.75

 

24/11

Pois então, virei a esquina e deparei com o colégio São... não, não vou dizer o nome do santo, só o milagre. É que o acontecido veio inteiro à memória. Aqui mesmo em Santa Catarina, anos atrás, girando pelo Baú de Histórias, contando causo pra criançada numa escola católica. Entonce, eu mais a violinha, não lembro qual era o espetáculo, mas tava bem agitado. Os meninos assistindo e se divertindo, animados demais! No final, o técnico do SESC disse que a freira, diretora da escola, estava nos convidando para tomar um café com ela. Maravilha, corremos para a sala da diretora, mesa farta, com bolo, café, leite, cuca de banana, uia! Também pudera, pensei, a criançada ficou tão feliz, a irmã quis retribuir. Sim, tava me achando um pouco, o sucesso quas’que subindo à cabeça... até que, entre um gole de café e uma mordida de cuca, a irmã me disse: “sim, seu Paulo, foi tudo muito bonito, mas tem umas coisas que o senhor falou e cantou que não estão de acordo”.

Hum, que delícia é a cuca de banana, molhada no café então! Mas aquilo parou na minha garganta porque comecei a lembrar do acontecido no auditório do colégio dirigido pelas freiras. É que no meu repertório... a verdade é que não sei contar causo sem colocar um lobisomem no meio, uma mula sem cabeça, um... tá bom vai, capeta tocando viola! Comecei a gaguejar tentando explicar o “conceito” do espetáculo. Sim, o lanche estava ótimo, e a irmã sorria para mim. Mas pra que lado era esse sorriso? “Irmã, a senhora sabe que é sempre uma representação da realidade essa questão da mitologia, a senhora não viu como os meninos ficaram felizes?”. “Pois é, seu Paulo, o senhor decerto achou bonito o momento que eles riram quando contou de São Gonçalo?” Pus mais um pouco de café, que o momento exigia concentração e coragem. Lembrei que o causo dizia que São Gonçalo era casamenteiro, padroeiro dos violeiros e... protetor das prostitutas!

“O senhor acha bonito inventar histórias de nosso santo e ainda mais colocá-lo junto com mulher da vida?” Fui ligeiro: “Bem, irmã, justamente, bonito não é, mas a senhora repare, pesquisei no Câmara Cascudo também e segundo ele...”. Ela me interrompeu: “Papel aceita tudo, meu filho”. Resolvi pegar mais um tequinho da cuca. Era melhor comer do que tentar responder um argumento tão definitivo como esse. “O senhor acha bonito mostrar o capeta tocando viola, levando as moças rio abaixo como se ele fosse um herói no qual os meninos devem seguir o exemplo?” “Irmã do céu, longe de mim pensar uma coisa dessas, ainda mais que a senhora tá me recebendo tão bem, mas tem dois tipos de capeta, o que cria belezas, toca viola, e aquele que é o do mal mesmo. Veja o Paganini por exemplo...” Ela levantou-se da cadeira, me interrompendo e disse, firme: “Mas isso não foi o pior”. Ligeiro repassei o show inteiro na cachola. Minha nossa Senhora (ué, é minha ou nossa Senhora?), o que podia ser pior que o chifrudo descendo rio abaixo ou o São Gonçalo dançando a noite intirinhazinha com as mulé dama? Não tinha mais nada no show, nada que pudesse ofender a irmã, nada! Então desafiei: “O que é, irmã, pode falar”.

“Vai ouvindo”! (sim, ela disse assim mesmo): “O pior foi o senhor xingando a moça que te abandonou e foi morar com o gringo em Bariloche! O modo como o senhor xingou a mulher no final da música. E na minha casa!” Lembrei então, a música era “Esperança é a Última que Morre”, de um certo Wandi Doratiotto, que um grupo chamado Premê gravou e eu coloquei no repertório. De fato a freira tinha razão. Avaliem no link. Tive que abandonar a cuca deliciosa ainda pela metade por culpa desse tal de Wanderlei!  

 

https://www.youtube.com/watch?v=JPwsCov4Uso

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Escrito por Paulo Freire ás 10h20 [ ] [ envie esta mensagem ]



FLORIANÓPOLIS, TIJUCAS


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23/11

Nunca tinha visto uma delas. Lágrima de bruxa, digo. Isso que dá ficar andando sem direção e seguir um instinto mais sem direção ainda. Tinham dois galhos retorcidos de goiabeira na frente e um lagarto, um teiú, mas sem cor alegre nenhuma, como que guardando a entrada. Não posso dizer que era a casa dela, que nunca tinha visto isso antes e não sei como as bruxas moram. A siora tá aqui ainda? Pois então, pedi licença, entrei, vi a lágrima e guardei comigo. Panela ainda quente no fogão, pedaços de papel com escritos que não consegui ler. Qual o que, moço, não era uma língua morta, estranha e enterrada, é que saí do quarto do hotel sem óculos, na caminhada desembestada. E hoje em dia só consigo ler letrão, que não era o caso. Cobra? Tinha sim. Mas presa. Não sei dizer se morta, porque meu tio Avilé ensinou: “todo cavalo dá coice e toda arma tá carregada”. Então não mexo com elas e, por favor, se tiver alguma aqui me lendo, pode me deixar em paz.

Sentei numa cadeira bem na porta, com vista pros galhos de goiabeira. Não vi ninguém, mas escutei um zum zum zum de várias pessoas atrás de mim. Não tenho medo de barulho, mesmo sentado num lugar que não era meu. Até sentir um roçado de vestido no braço. Aí levantei ligeiro. Dei a volta no teiú e achei uma trilha que subia o morro. Não era o caso de voltar, mas de subir. Mesmo com teia de aranha grudando na perna e no cabelo. Nessas horas não se volta. Mas é bom ser ligeiro. Também não é por medo, mas que las hay las hay. Remédio pro medo é falta de fôlego. Subir por uma trilha íngreme concentra o caminhar e a cabeça se arruma. Quem entende o pensamento? Sei lá por qual associação veio a imagem do Keith Richards e seu livro “Vida”, que o Tuco me emprestou. Leitura do fim de 2014, que me deu tranquilidade. Explico: para não me aborrecer com o que não me pertence. e ter muito respeito e responsabilidade frente ao caos. O Paulinho, irmão do Levi Ramiro, me ensinou a receber com hospitalidade e agradecer sua visita. Do caos, digo.

Onde estou nesse momentozinho, agora? Santa Catarina, claro. Aonde mais tem tanta bruxa? A tal trilha que peguei e subi e me enfiei nas teias de aranha com o Richards, me levaram de volta à trilha maior. De tanto andar à toa, a gente cria senso de direção para conseguir achar o rumo de volta. Seguimos tocando viola. Tenho encontrado com tantos amigos, os filhos dos amigos, alegria jupiteriana. São abraços apertados matando e plantando saudades. Tenho certeza que o que vai salvar o mundo é o carinho. E já vou arrumando mala de novo. Só uma coisa tenho receio de carregar (todo cavalo dá coice etc). A lágrima de bruxa. Pode jogar fora? Onde despejo? Fiz mal em ter carregado? Nunca tinha visto antes, não sei como proceder. Então agora é sua, isso mesmo, suinha. Não se recusa lágrima de bruxa atirada, do sentimento pro seu colo, nessa trilha de carinho.


Escrito por Paulo Freire ás 10h18 [ ] [ envie esta mensagem ]



CAÇADOR, LAGES


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09/11

Valei-me meu São João Maria. Valei-me dos que querem expulsar-me de minha terra, desrespeitando a honra de um contrato firmado num fio de bigode. Não deixe que qualquer cachorro morra de sede, protegei nossas águas, o senhor mesmo disse: “A terra é nossa mãe. A água é o sangue da terra-mãe. Cuspir e urinar na água é o mesmo que escarrar e urinar na boca de tua mãe”. Protegei a senhora de Mariana que viu sua casa ser tragada pela lama e disse: “Tanta enxadada eu dei nessa terra pra ter uma casa boa e agora? Foi tudo embora”.

Protegei aqueles que se valem da estrada. Os viajantes, os contadores de história, os caminhoneiros, os foliões e os aventureiros. Valei-me meu São Gonçalinho. Todo dia dividimos 2hs de música e prosa com um bocado de gente encantada com a viola. Com tanto carinho que chega a ser violento. Mas o dia é longo. Dai-nos paz meu São João Maria nas 22hs restantes, inclusive nas de sono. Velai as nossas noites. Fazei-me acreditar que a saudade dos filhos é uma coisa boa e necessária. Trago seu escapulário, junto com o santinho de minha mãe em meu embornal. Tenho me escorado mais neles que no guizo do cascavel que carrego na viola. Valei-me.

Agradeço também a proteção de meu pai que me fez enxergar o mais belo que o belo. Depois da surpresa do Michelangelo, conhecer a fundo sua vida. Então voltar a ver suas obras. Parar diante da estátua do Davi e, na delicadeza do mármore, sentir a paixão do artista. E finalmente se afastar e focar nas pessoas paradas em frente à estátua, para ver a reação de beleza que a beleza provoca nelas. Nesse momento do belo amplificado, elas ficam até mais poderosas que a própria obra de arte. Valei-me meu São João Maria para que alcancemos aqui mesmo todas as graças, antes de sermos atropelados pelo relógio desesperado que tac sem parar.

Valei-me pela chuva que peguei nesse instante mesmo, aqui em Caçador, na linha de ferro, debruçado na Maria Fumaça. Caminhando na chuva, passei por uma praça que conheci em um outro tempo que não alcanço. Escutei o monge proferir, em frente a uma araucária: “Quem descasca a cintura das árvores para secá-las, também vai encurtando sua vida. Árvore é quase bicho e bicho é quase gente”. Amanhã vamos para Lages. Protegei-nos meu São João Maria ao atravessar suas montanhas. Em Lages vou à Igreja de Santa Cruz, presenciar o milagre de uma cruz que o monge plantou. Eram dois pedaços de pau, mortos por assim dizer, que foram plantados na terra. Virou um bitelo de cruzeiro, que só parou de crescer quando tiraram do mato e colocaram na igreja. E que agora precisa ser protegida por vidros para que os seguidores do monge não arranquem lascas da cruz para seus escapulários. Sim, 100 anos depois, escondidos da História, seguimos abençoados por ele. Valei-me.

 

Enquanto escuto que um dia isso tudo vai ser tragado e submergido pelas entranhas da terra, me pergunto: imagina se aquele grande contador de causo, o tal de Euclides da Cunha, tivesse vindo para o Contestado?


Escrito por Paulo Freire ás 10h14 [ ] [ envie esta mensagem ]



SANTA CATARINA!


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03/11

No “Sonora Brasil” que participei em 2002 com os mestres Badia Medeiros e Roberto Corrêa, aconteceu o assucedido. Vai ouvindo... além das violas, eu contava dois causos em nosso show. Depois da apresentação em Florianópolis, o então técnico de cultura de Santa Catarina, Valdemir Klamt, me chamou num canto e perguntou: “será que você tem um espetáculo só de contação de histórias? Com a viola, é claro”. Eu ainda brinquei, respondendo que ninguém ia aguentar isso. Entonce ele me contou do projeto que estava desenvolvendo, em todo o Estado, o “Baú de Histórias”. E disse que se eu montasse um espetáculo de causos poderia participar do projeto. Continuei brincando com aquilo, mas o Valdemir não. E arrematou dizendo que aguardava uma resposta.

Seguimos viagem, qua’que esqueci do assunto. Mas a pulga se aninhou bem naquele cantinho atrás da oreia. Ora essa, eu era músico, violeiro, contava um causo aqui e outro ali, mas esse era um desafio bem diferente. Pois inspirado no encantamento que eu tinha pelos causos e a diversão das pessoas acompanhando as histórias, quando terminou o projeto procurei o Valdemir e aceitei o convite. Durante um ano preparei o espetáculo. Em 2003 corri o Estado de Santa Catarina, desta vez a estrela eram os causos, com a violinha encaminhando a apresentação. Bão, resumindo, de lá para cá, por dez anos participei do Baú de Histórias. Não tenho dúvidas que foi durante este projeto que firmei no ofício e me tornei contador de histórias. Apresentei para crianças e adultos em escolas, centros comunitários, teatros, assentamentos, salão paroquial, quintal, onde a siora puder imaginar! Cada ano com um espetáculo diferente, sempre com os mitos brasileiros sapecando a violinha. Um mundo se escancarou à minha frente.

Durante esses anos fiz grandes amigos, daqueles de se levar pra toda a vida. Recebi cada abraço de criança de emocionar qualquer vivente e conheci lugares maravilhosos. Pois passeei também, ué! E agora estamos em Santa Catarina novamente. Eba!! Levi Ramiro Silva e eu, por um novo “Sonora Brasil”. Peraí, melhor ainda, todos os violeiros do projeto estarão se apresentando nesse mês de novembro e comecinho de dezembro pelo Estado! Grandes mestres. Cada grupo de violeiro fará 24 apresentações. São 4 grupos, sempre um dia atrás do outro. O siô não vai perder, né? A siora, pelamordeDeus apareça! A programação toda está aqui no link abaixo.

Começa hoje, 03/11, em São Miguel do Oeste, perto de onde teve um caso comprovado de mula-sem-cabeça, né Pedro Pinheiro? E termina 02/12, em Joinville onde vimos fiapos do tecido de um cobertor grudado no dente de um moço que tinha acabado de desvirar lobisomem, né Josiane Geroldi?


Escrito por Paulo Freire ás 10h09 [ ] [ envie esta mensagem ]




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