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DIÁRIO BAÚ DE HISTÓRIAS - 8


Diário de Bordo – Baú de Histórias. Décimo sétimo dia – São Miguel do Oeste

 Quando o público é misturado de escolas, turmas do 1° ano até alunos do ensino médio, uns 400 meninos, é como se estivéssemos em um barco navegando em meio a grandes ondas. Não dá pra se ajeitar com o oceano inteiro, mas sim focar uma camada aqui, outra ali, procurar não bater de frente na onda pra não ir a pique, segurar a corda que te jogarem, agarrar no mastro e pedir ajuda aos céus. Gritar por socorro não é feio nesses casos. A primeira apresentação em São Miguel foi assim. A segunda juntou uma turma bem menor, acho que eles tinham entre 12 e 16 anos. Agora havia uma ligeira calmaria, então larguei a bóia, contei o causo do Corpo Seco e depois chamei a turma para cantarmos juntos cocos de viola. No final conversei com eles. Um menino me perguntou em quem que eu me inspirava para fazer meu trabalho. Respondi meio atrapalhado e ele insistiu: “em quem, qual pessoa te inspirou?” Respondi: “na roça, com a conversa dos velhinhos da roça”. Um olhou para o outro, balançaram a cabeça satisfeitos e bateram palmas. Pronto, as crianças, os velhinhos. E no meio disso um mundo de descobertas.

 

Diário de Bordo – Baú de Histórias. Décimo oitavo dia – aeroporto Florianópolis

 Voltando para casa. Atravessamos 2.500 km no Estado de Santa Catarina, em 20 dias. Foram 18 cidades, 36 apresentações do “Medo Pequeno e Medo Grande”, dentro deste incrível projeto do SESC Santa Catarina, o Baú de Histórias. Ufa! Claro que é puxado. Tenham certeza que este diário de bordo, com a visita do senhor e a senhora, as “curtidas”, comentários generosos, apertos e carinho, deram um bocado de coragem para que eu pudesse seguir, quase sempre firme e forte, nesta jornada. Agora chegar em casa e calçar o chinelão. Em outubro tem mais um giro, pelo norte e centro do Estado. Se tiverem paciência, vou achar bão absurdo poder contar com o auxílio luxuoso de vocês!

 Para arrematar o causo, vão ouvindo: meu amigo Fernando Leão esteve comigo em Lages e fez estas imagens da apresentação. O Fernando é danado, agarrou a atenção e alegria das crianças.

http://www.youtube.com/watch?v=g2fHSEmdcyM&feature=youtu.be

 Queridos amigos, um abraço apertado e um suspiro dobrado de amor sem fim a todos vocês!

 


Escrito por Paulo Freire ás 08h13 [ ] [ envie esta mensagem ]



DIÁRIO BAÚ DE HISTÓRIAS - 7


Diário de Bordo – Baú de Histórias. Décimo quinto dia – São Carlos

 Conforme vamos caminhando para o oeste de Santa Catarina a paisagem se transforma, decerto por causa dos grandes rios que cortam a região. Aqui em São Carlos o Rio Chapecó deságua no Rio Uruguai. Enormidades. Com essa quantidade de água as árvores agradecem e dão aquele estirão verde. As apresentações foram na Casa da Memória e o Alecssandro, que dirige a casa, é um guia extraordinário. As escolas estavam paralisadas, ficamos com receio da falta de público, mas os meninos foram chegando. Sem os pais, as crianças vinham caminhando sozinhas pelas ruas... São Carlos. Curiosas viam os objetos do museu e me contaram histórias de assombração! Entre uma apresentação e outra, Alecssandro me levou para conhecer a cidade. Mostrou as construções, apresentou o incrível alfaiate, contou histórias da fuga dos alemães da Sibéria, a vinda para o Brasil, as aventuras da colonização . Delícia! Assim, conhecendo as pessoas, dá para entrar no espetáculo afluente desses grandes rios. Agora vou para Chapecó. Penúltimo dia da saga Catarina.

 

Diário de Bordo – Baú de Histórias. Décimo sexto dia – Chapecó

 Muito se discute qual é o local ideal para se contar história. Na minha opinião, o melhor de todos, é no quarto dos filhos, luz apagada, um palpitinho aqui, outro ali, até o causo virar sonho. Mas os meninos crescem, a gente entra no ofício e, na contação para um bocado de gente, a pergunta martela novamente. Cada local tem seus encantos e dificuldades. O teatro é sem dúvida o mais confortável, com luz, sonorização, a concentração fica mais aguçada. Em Chapecó, foi no Teatro do SESC. Na sessão noturna, o Medo Grande, geralmente para adulto, tinha um bocado de criança na primeira fila. E outros bebês de colo aqui e ali, além dos adultos. Resolvi fazer o Medo Grande assim mesmo. As crianças da primeira fila grudaram a atenção. Tinha alguma agitação, mas não é bom a mãe poder assistir o espetáculo mesmo com o bebê no colo? Se eu tivesse na roça, embaixo de uma mangueira, não ia ter gente chegando e saindo? E outros prestando atenção? Entonce nessa hora quem conta se imagina num quintal, na magia do teatro, e procura carregar todo mundo lá pra baixo da mangueira. O espetáculo da tarde, o Medo Pequeno? Bom, mais uma vez no final apareceram vários adultos na porta do teatro, preocupados com o que estava acontecendo. É que nossa cantoria estava animada. Um pouco demais, tá bom... Agora é São Miguel do Oeste, a última cidade deste primeiro giro por Santa Catarina.


Escrito por Paulo Freire ás 08h12 [ ] [ envie esta mensagem ]



DIÁRIO BAÚ DE HISTÓRIAS - 6


Diário de Bordo - Baú de Histórias. Décimo terceiro dia - Concórdia

 Rá, a faixa etária das crianças é um capítulo à parte. Vocês podem imaginar um bando de criança rindo... tudo com janelinha nos dentes da frente?! E é comum eles rirem e comentarem com o amigo ao lado. Eu sei que pode virar bagunça, mas deixa! Aí a gente dá uns pulos e faz de tudo para ver a janelinha de novo. Como contei para duas turmas diferentes, na mesma escola, mudei as histórias para que um comentasse com o outro que não ia saber o que tinha acontecido. E peguei um causo que costumo narrar para adolescente ou adulto, com uns namorinhos e tal, e fui adaptando para os meninos de 7 a 9 anos. Deu um certo medo, mas é o que vai espaiando o acontecido pra tudo quanto é lado. Hoje terminou mais cedo e vou a uma cantina. Tem muito italiano aqui em Concórdia. Hmmm, mangiare una polpetta, amolecer com o vinho e embalar pra amanhã. É que em Xanxerê tenho amigos desde neném até adulto. Ueba!

 

Diário de Bordo – Baú de Histórias. Décimo quarto dia – Xanxerê

 Imagina só, Xanxerê tem 40.000 habitantes e a cidade não tem nenhum semáforo! Tudo é resolvido com a faixa de pedestre no lugar certo, o bom senso de todos e, claro, um projeto de educação no trânsito. A primeira apresentação foi num quintal, sentado embaixo das árvores, com um punhado de menino em volta, de 4 a 6 anos. A sombra das folhas desenhava o chão e o rosto das crianças. Entramos no causo do saci, trocamos ideias sobre o comportamento deste primata, depois disse do começo do mundo com a invasão do povo que mora lá dentro e a feiúra que quis se espalhar pela Terra. Cada palpite engraçado eles deram! Aí corremos para os meninos maiores, em um auditório, uau!, essa tive que suar a camisa. Eles estavam querendo emoção, me sacudiram todo e no fim estávamos uivando, miando e cantando! Amanhã é São Carlos, não conheço esta cidade, mas já tá quase no arremate: faltam 3 dias de apresentações, aí volto pra casa. Sodade.


Escrito por Paulo Freire ás 08h11 [ ] [ envie esta mensagem ]



DIÁRIO BAÚ DE HISTÓRIAS - 5


Diário de Bordo - Baú de Histórias. Décimo primeiro dia - Caçador

 Contar história... existe coisa mais antiga? Não precisa nada, quer dizer, só gente. Um pai e um filho. Um mestre e sua aldeia. Um “contador” e a plateia. E de fato não precisa mais nada. Nem cenário, luz, projeção em telão, efeitos especiais, instrumentos. Quer dizer, tem uns que se apoiam na violinha... mas mesmo esse tipo tem hora que se esquece do instrumento e sai falando desembestado. Hoje mesmo, em Caçador, um anfiteatro na praça, duas sessões. A primeira às 16hs, o sol batendo no rosto, o movimento da praça, tava difícil, então resumia as histórias, ponteava ligeiro as músicas, que ninguém conseguia se concentrar. A segunda às 18hs, eu preocupado que não ia dar certo, querendo meter o rabo entre as pernas e fugir. Mas foi juntando gente, sentando perto porque o frio tava chegando. Anoiteceu, a lua bonita no céu, a luz dos postes acendendo. Bom, não sei como aconteceu, mas a plateia estava tão participativa, que cada risada que eu escutava o danado do causo mudava de caminho! Quem que pode com as histórias de nossos mitos? No final umas pessoas saíram ligeiro que o frio na praça tava pegando, e outras vieram me dizer que terminar a tarde rindo era tudo o que queriam. E eu também! Amanhã embarco para Joaçaba, já no rumo de volta.

 

Diário de Bordo – Baú de Histórias. Décimo segundo dia – Joaçaba

 Domingão. Dia que a família se reúne. E que os filhos levam os pais para assistir espetáculos. Por isso que foi enchendo o auditório do SESC, busca cadeira aqui, joga almofada ali, aperta dois em um só banco, corre pra acomodar todo mundo, apaga a luz, joga o foco e solta o contador. De causo, no caso. Todo mundo se ajeitando, as histórias também, maravilha é ver o rebuliço que é feito para que tudo dê certo, para que as pessoas tenham conforto, o artista fique à vontade, as famílias se encontrem. Este projeto faz parte de um movimento mundial que é juntar as pessoas e tratar de trocar suas histórias um dentro do olho do outro. Em Santa Catarina ele tem uma grandiosidade única. Há mais de dez anos que os artistas cruzam o estado neste serviço, além de oferecer cursos para formação de contadores de história. E fico muito feliz e agradecido de fazer parte desse redemoinho. Girando, girando, amanhã é Concórdia. Logo cedo, participando de uma maratona de contação de história. Não falei? Vou drumi!


Escrito por Paulo Freire ás 08h11 [ ] [ envie esta mensagem ]



DIÁRIO BAÚ DE HISTÓRIAS - 4


Diário de Bordo – Baú de Histórias. Nono dia – Bocaina do Sul.

 Neste projeto do SESC Santa Catarina, quando vamos a alguma comunidade mais retirada para apresentações nas escolas, fico muito satisfeito com o café que tomamos na Sala dos Professores depois do espetáculo. Como já conversei um bocado de maluquice no palco, parece que ficam mais à vontade para prosear e contar os causos da cidade. Hoje foi assim, um café delicioso em Bocaina do Sul e a história da noiva do lago que aparece em cima de uma bacia. Uma conta um pedaço, depois outra professora continua e chamam outro que sabe o arremate... risadas, piadas, provocações, cria-se uma intimidade ligeira como se já fossemos amigos há tempos e estivéssemos à beira de um fogão de lenha.

Cheguei no meio do caminho deste giro. O abraço que recebi das crianças de Bocaina no final da apresentação da tarde, espantou o cansaço que estava me apertando de saudades de casa. Ai ai ai...

 Bão, bora arrumar mala que amanhã vamos para Caçador!

 

Diário de Bordo – Baú de Histórias. Décimo dia. Trânsito: Lages – Caçador.

 Entonce, tem dia que só viaja. Vou contar como é a “rotina” desse giro. Acorda, toma café, viaja, almoça, chega na cidade, acerta o som, apresenta à tarde, ajeita o som, apresenta à noite, dorme, acorda etc.

 Claro que muda, às vezes apresenta de manhã, outras são dois espetáculos à tarde. E nesse vai e vem, “todo mundo gosta de abará, ninguém quer saber o trabalho que dá”. A gente tem dor de barriga, o som tem hora que não ajuda, e também tem uns caboclos chatos que é preciso jogar tomate neles, mas quando não dá a gente é obrigado a entrar no casco de jabuti e ficar quieto no mundo de dentro. Por outro lado, nestes anos que girei pelo Baú, fiz queridos amigos. Em Lages foi uma maravilha, encontrar e conviver com o Lota, a Elen Padilha, o Fernando Leão, o Robson Andrade. Diversão garantida! Às vezes a conversa destes Lageanos parece uma língua do outro mundo... Cheguei em Caçador e fui andar na cidade. Aliás, pra aguentar firme esta toada tem que andar, fazer as corridas, comer direito, dormir cedo. Acabo de chegar do Museu do Contestado, sempre encantado com a grandiosidade desta História. Agora, nesse exato momento que converso com vocês, aqui no hotel em Caçador, escuto uma moda de viola. Quem? Ué, Little Wing. Hendrix!


Escrito por Paulo Freire ás 08h10 [ ] [ envie esta mensagem ]



DIÁRIO BAÚ DE HISTÓRIAS - 3


Diário de bordo – Baú de Histórias. Sétimo dia – Rio do Sul

 No sétimo dia não descansei... Logo cedo fomos à Fundação Cultural da cidade, que é parceira do SESC, para ajeitar o espaço. Uia! Som ótimo, palco, luz. Agora eu não tenho desculpa!

 Um bocado de criança, não sei quantos. A voz saía fácil, a violinha ponteava macio: “de noitinha um fatinho bem bonito/25 orangotango pendurado num mosquito”. Tinha uma história no repertório que não se ajustava. Era quando o Mapinguari me engolia. Pois tomei coragem e finalmente pude ver, com esses óio que a terra há de comer, bem na minha frente, o bicho peludo e fedido me jogando dentro da sua boca na barriga. Pronto, dessa vez escorreguei bonito e me deixei lá. Só saí na risadaria e animação dos meninos. Na segunda apresentação mudamos de espaço, fomos para uma sala fechada que parecia dentro de uma mata com gruta e tudo. Meninos pequenos, entre 4 e 7 anos. Fizemos uma bagunça!!! A TV tentou filmar, a cobra grande empurrou uma porta e jogou o rabo lá dentro. Eu corri, os meninos gritaram. Aparecia gente na porta preocupada com o que estava acontecendo. No final tiramos fotos, pendurado em abraços da criançada.

Amanhã é Lages. Vou fazer minha reza na cruz de São João Maria. A senhora não conhece? O monge que plantava cruz??!!

 

Diário de Bordo – Baú de Histórias. Oitavo dia – Lages

 Sabe uma cidade que de alguma forma te arrebata, põe no chão, faz caminhar à toa pelas ruas, além de te encaminhar para os destinos escolhidos? Escolhidos por ela, digo. É como se você fizesse parte daquele movimento, fosse jogado de um lado pro outro, conversa com uma pessoa, outra, e quando percebe está na frente da cruz plantada por São João Maria. Na Igreja da Santa Cruz. Era um pedaço de pau, morto por assim dizer, que o monge cravou no chão. E ele foi crescendo, crescendo, até virar o bitelo de um cruzeiro. Lages. É aqui que finalizo o meu romance “Jurupari”. As pedras da catedral ainda têm as rachaduras, as pessoas ainda carregam os escapulários. Contei causo pra criança e adulto. No Medo Grande apresentei a Serpente Emplumada. Ara, mas aqui não tem também a serpente que mora dentro do tanque? Tudo dito e compreendido no silêncio da resposta. Deu até um certo tormento na cachola. Que faz bem pras ideias. Manoel de Barros, de novo: “Não gosto de palavra acostumada”.

 Agora a próxima é em uma cidade pequena, Bocaina, aqui no alto da serra. Peguei a blusa e enchi o embornal. Bora lá!

 


Escrito por Paulo Freire ás 08h09 [ ] [ envie esta mensagem ]



DIÁRIO BAÚ DE HISTÓRIAS - 2


Diário de Bordo – Baú de Histórias. Quarto dia – Criciúma.

 Uma apresentação à tarde, com mais criança que adulto, e outra à noite, com mais adulto que criança. O silêncio podia-se pegar com as mãos. Nas duas. O menor desvio da atenção mudava a história de rumo. Quando percebi, havia parado em um assunto e desenvolvia uma ação que não sabia onde iria dar, ai que medo. Até que alguém da plateia deu a resposta e pimba, lá vamos nós! Pronto, causo arrematado e novidade nos rumos da história. Teve bão!

Entre uma apresentação e outra fiz uma horinha na biblioteca do SESC e pousou, sozinho, na minha mão, o “Ensaios Fotográficos”, do Manoel de Barros. “Difícil fotografar o silêncio”. Ah, Manoel, você nem imagina o bem que nos faz...

 Quando estava saindo do SESC, bateu a certeza que estas apresentações me criançam.

 Amanhã é só viagem, de Criciúma a Rio do Sul. Vamos subir a Serra do Rio do Rastro. Diz que vai gear. Brrrrr!

 

Diário de Bordo – Baú de Histórias. Quinto dia – viajando.

 Saímos de Criciúma e viemos para Rio do Sul, subindo a Serra do Rio do Rastro. Meu pai, Roberto Freire, ensinou-me a visitar museus. Ele dizia que devíamos observar não apenas as obras de arte, mas também o impacto que elas provocam nas pessoas. Hoje foi assim. Lá no mirante da Serra do Rio do Rastro, a 1.500 metros de altitude, cheio de gente, domingão, fui escutando: “maravilhoso, maravilhoso”. Tinha menino adulto subindo a mureta, se pendurando, fotos, muitas fotos. Fui buscar um quentão em uma barraca e me encantei com o encantamento alheio. Se era bonito? Ara, o dia estava claro, o sol brilhando, a montanha, a estrada serpenteando, a mata violenta, as pedras formando esculturas, lááá embaixo as plantações, as casinhas, e lááá longe uma faixa de areia. Sim, uma praia, disseram que era do farol de Santa Marta. E a mistura de mar com céu, “Dois infinitos ali se estreitam num abraço insano”, Castro Alves, sim siô. Agora sossegar o pito que amanhã vou para Vidal Ramos. No caminho cruzo um mundo de plantação de cebolas. Vou tirar uma fotografia do aroma.

 

Diário de Bordo – Baú de Histórias. Sexto Dia – Vidal Ramos.

 Duas apresentações para a criançada. Bem diferentes. A primeira teve muita participação, as histórias fluindo, experimentando novos caminhos pela tranquilidade do momento. Olhares amorosos, abraços no final, aquilo que você ensaiou e planejou durante meses escorrendo feito água no leito do rio.

 Já a segunda foi mais agitada, duas escolas chegaram, tinha hora certa porque os ônibus que trouxeram as crianças precisavam cumprir horário, começamos quase pontualmente. Silêncio e olhar atento da meninada, muitos haviam viajado mais de 40 km para assistir. Aí começaram a chegar outras turmas que haviam se enganado com o horário. Entravam, passavam na frente, se ajeitavam, depois outra leva. No meio do espetáculo entra uma classe da APAE...

 E eu ali, vendo o Honorato largando a pele de cobra na beira do rio, o curupira se vingando do destruidor da natureza, foco, mantém o foco, atenção que tem olhinho grudado na história, a faca na cabeça da cobra, a música, a música. Ufa! É ela, a música! A violinha encontrou o caminho certo. Atenção capturada: “barbaridade isso é bão que mete medo, se mete é bão, isso é bão barbaridade”.

 Preparar uma história não quer dizer que você vai contar do jeito ensaiado. É preciso aceitar o desconhecido, agarrar no brilho do olho e depois engolir tudo pela barriga mapinguari. Nhoc.

 Amanhã Rio do Sul. Logo cedo. Entonce vou dormir. Bas noite pro siô, pra siora, cuida bem do anjinho aí atrás de vocês.


Escrito por Paulo Freire ás 08h08 [ ] [ envie esta mensagem ]



DIÁRIO BAÚ DE HISTÓRIAS - 1


foto Robson Andrade - Pousada Rural SESC, Lages/SC.

Em abril participei do projeto Baú de Histórias, promovido pelo SESC Santa Catarina. Rodei o Estado contando causos e tocando viola.

Fiz um diário de bordo em minha página do facebook - http://www.facebook.com/paulo.freire.75

Organizei pela ordem da publicação e estou deixando este diário aqui no meu blog. Vou colocando por partes, para não aborrecer o senhor e a senhora.

Tem o dia a dia da viagem, as reflexões sobre contar histórias, os causos dos meninos, enfim, tentei fazer um relato ligeiro desta grande aventura que é o Baú de Histórias.

 

Diário de bordo: Baú de Histórias. Primeiro dia.
Hoje apresentei em Laguna o “Medo Pequeno”. Foram duas sessões. 300 crianças numa e mais 300 na outra. Uma maravilha o olhar desses meninos quando contamos alguma história de nossos mitos. A atenção, o sorriso fácil para encarar a aventura dentro das matas, e a natureza selvagem que carrega a imaginação de cada um. Emocionante! Amanhã tem banho de mar e procura de boto nos Molhes. Depois Tubarão!
Calma, gente, tô falando da cidade Tubarão.

Diário de Bordo Baú de Histórias. Segundo dia – Tubarão.
Os desafios quando contamos histórias para a criançada. Difícil e triste quando vemos os meninos concentrados no causo e professores conversando ao lado. Por que eles não seguem o exemplo das crianças? Adulto é um bicho estranho. E quando você, entre uma história e outra, vê umas 3 crianças que levantam, viram de costas e começam a dançar??? Bão, aí o senhor trate de dar um jeito, tira um ás da manga, um coelho da cartola e, dentro da confusão, tenta trazer todo mundo pro mesmo lado. Nem que seja o deles...
Amanhã vou para Araranguá, terra de imensidades.

Diário de Bordo – Baú de Histórias. Terceiro dia – Araranguá.

Teatro lotado. Duas escolas, 400 adolescentes! Nesse caso podem ocorrer dois fatos: ou um massacre, uma tragédia; ou uma maravilha... e foi bão, mas bão absurdo! A revolução de sentimento que esses meninos carregam me sacudia inteirinhozinho. E lá ia a cobra se transformando em gente, o capeta tocando viola, a bala de prata envolta em cera de vela usada em procissão pra Nossa Senhora acertando no dedo mindinho da fera desembestada... Rimos, nos divertimos, cantamos juntos. Depois corri pro Morro dos Conventos. As imensidades: o paredão de pedra de 80 metros, os urubus saindo dos ninhos, o rio invadindo a praia, as dunas, o mar, o mar, a serra tomada pela bruma. Cacilds, de ficar uns 15 minutos sem respirar, só alimentado pela violência da natureza.

Amanhã é em Criciúma. Vai ter para adultos também. Ueba!

 

 


Escrito por Paulo Freire ás 08h05 [ ] [ envie esta mensagem ]




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