Não sei se os amigos blogueiros sabem, mas moro em Campinas, Estado de São Paulo. E aqui tem coisas muito importantes.
Por exemplo, já estamos bem encaminhados no mês de agosto e uma questão está me martelando: cadê o Espaço Cultural da CPFL?
Freqüentei demais este espaço. Fui como público - junto com minha família - e artista.
Graças a uma caprichada programação, tínhamos uma garantia de qualidade nos diversos eventos oferecidos. Assisti shows, espetáculos de dança, filme, palestra, teatro etc.
O negócio deu certo. As apresentações viviam lotadas. O Espaço Cultural virou ponto de encontro das pessoas.
Vão ouvindo... Minha primeira apresentação neste espaço foi a convite do então curador do núcleo de MPB, Benjamin Taubkin. Fui mediador-violeiro do embate dos Presidentes de duas Associações: os Criadores de Saci, de Botucatu, frente aos criadores de Lobisomem, de Joanópolis. É sério.
A última foi no final de 2007, um Sarau dos curadores Tucun e Carlão. Apresentei-me com o mestre do sertão Badia Medeiros, e também com o incrível Trio Conversa Ribeira.
Pois em 2008 a programação sofreu um corte brusco, vários projetos saíram de cena. O assunto está no ar. Outro dia fui à casa de meu tio, o José Prequeté, e conversa vai, conversa vem, o tema voltou.
"Bom, tio, mas acho que temos que ver o lado positivo das coisas. Pelo menos durante quase cinco anos tivemos a bênção de poder desfrutar de um projeto cultural tão importante promovido pela CPFL."
Às vezes meu tio é um pouco irritante. Olha para mim de um jeito de quem vai dar um tranco. Dito e feito. Foi logo retrucando:
"Você parece bobo, Paulo. Tá muito errado."
"Vai logo, tio. Pode falar".
"Uai, você tá dizendo que lá vivia cheio porque a programação era muito boa?"
"Sim, senhor."
"E está agradecendo a este espaço porque ele fechou?"
"Não foi isso que..."
"Fica quieto, menino. Eles pediram desculpas aos artistas? Comunicaram que não teria mais programação?"
"N..."
"Fica quieto. Acredito que seus colegas artistas não recusavam o convite de se apresentar na CPFL. Você sempre disse que lá era muito bom. Então quer dizer que vocês ficam à disposição deles para a programação e depois não recebem nenhuma satisfação?"
"Pera aí, ti..."
"Não mandei você falar ainda! E como é esta questão cultural? Se o negócio foi criado para um fim, está dando certo, de uma hora para outra fecha as portas? Hmmm, isso é muito estranho. Um lado não fica sabendo que a relação acabou. Ou eles fizeram tudo sozinhos? Ou estes curadores sabiam que o projeto tinha vida curta e não disseram nada aos artistas, que também apostavam no espaço? E mais, tem mais!”
“Peraí, eles querem descentralizar a programação, levar o projeto para outras cidades e isso é impor...”
“Cala a boca. Foi pra onde? Quem está fazendo esta programação? Quais artistas estão lá? ”
"Isso eu não sei, só ouvi falar. O senhor está de muito mau humor. Vou embora".
Bati a porta e ainda pude escutar da calçada:
"Não terminei, volta aqui. Volta aqui!"
E agora? Volto lá pra ouvir o resto?