Quando era mais menino (lá pra 1973), estava encantado com ginástica olímpica. Então meu pai levou-me para assistir uma roda de capoeira. Lembro que era no Bixiga, em São Paulo.
Foi tiro e queda. No dia seguinte entrei na academia do mestre Almir das Areias, na Barra Funda. Guardo ótimas lembranças do mestre Almir. Ele não dava a menor moleza. O treino de capoeira era puxado. Nos finais de semana jogávamos futebol com o time da academia. E bebíamos alguma cerveja.
Acabo de fazer 51 anos. Um vizinho disse que agora eu podia deixar no ponto morto e ir na banguela. Até tentei, mas não parava de cair conta aqui em casa, então tirei a violinha do saco.
O fato é que fiquei desacorçoado com a idade e com um tanto de assunto atravessado despencando em cima.
Aí lembro sempre de uma frase do mestre Almir: “o capoeirista se acha no meio da confusão”. Fui um bom aluno, mas péssimo capoeirista. Meu corpo não se adaptou. Para a bola, sim.
Penso na história da capoeira, nos momentos passados com mestre Almir, no futebol e na academia, e vou dando minhas pernadas. Tentando tirar a poeira da frente pra poder descansar na viola.
Esse ano tenho que fazer um monte de música nova. Tô me inspirando nas esquisitices de nosso quintal. Vou pedir licença para entrar na roda dos mitos. Tá na hora de jogar, camará!