QUEM TEM TEMPO...
Outro dia recebi a visita de Levi Ramiro, grande violeiro e amigo.
Comentávamos sobre um trabalho feito nas melhores condições, com calma, as pessoas certas, recebendo direito, fazendo o que gosta. E que o resultado só poderia ser especial de bão. Aí o Levi arrematou:
“Pois é, como diz o meu pai, quem tem tempo caga longe”.
A senhora não se ofenda com a palavra direta. Calma, moço, qual é o problema, o senhor não tem o costume?
O certo é que parei a conversa na hora. Disse pro Levi que não precisava falar mais nada. Pronto, estava tudo ali.
Lembrei-me das tais situações - e quem nunca passou por isso? – de se esconder na primeira moita que aparece e fazer o serviço, pelejando para não ser descoberto. Se aliviando, mas tenso. Sem ter com o que limpar. Sujeito a uma ferroada de marimbondo, situação muito bem descrita pelo Geraldinho.
Tudo porque não foi procurar o melhor lugar, mais sossegado, com condições ideais para encaminhar o trem.
Percebi na frase do pai do Levi, o seu Ramiro, toda a riqueza de um certeiro ponteado de viola. E é uma lição que pode ser aplicada em diversas situações.
O que foi, menino? Que palavra feia nada, é pura filosofia caipira. To be or not to be. Ou como bem traduz o Zé Mulato:
“Semo porque semo, e também porque queremo”.
Moço, dona, agora vocês já estão bem encaminhados, vejam bem onde descarregar a munição!
E vão ouvindo, vão ouvindo...