A senhora preste muita atenção se encontrar alguém no aeroporto de Brasília. Por via das dúvidas, não dê a mão ao sujeito. Andei reparando outro dia e, seguramente, 80% dos homens que vão ao banheiro não lavam a mão depois de se aliviar.
E mais, estão sempre agarrados ao celular, então não peçam o aparelho emprestado.
Depois cheguei em Campinas e tinha menos gente no banheiro. Ali cerca de 50% dos freqüentadores guardavam o bimbo e saíam direto para buscar sua bagagem. Nem uma aguinha na mão, nada.
A porcentagem de desanimação também cresce na dificuldade em receber pagamentos nesta vida de produtor-contínuo-violeiro.
Existe uma honrosa exceção – o SESC. Se não for via esta instituição, prepare a paciência.
O que os conTRATANTES não imaginam, é que ficamos trabalhando em novas criações, ensaiando, estudando... mas com a cabeça ocupada em imaginar porque é tão difícil programar um pagamento e cumprir com o prazo.
Tô muito reclamão?
Nada, é que estou me embrenhando na produção do novo trabalho, para o CD do ano que vem.
Entro no mundo da Cobra Honorato e aí tenho que - ao mesmo tempo que a cobra vai virando gente - inventar jeito de pagar conta com um dinheiro que era para estar comigo, mas não chega.
Não combina. Mas não esmoreço. Afinal, tem um monte de artista na mesma situação, mas que não pára de criar.
Aí me pergunto: será que esse povo que não lava a mão é o mesmo que não paga a gente?