Peraí, gente, tá meio difícil pegar o jeito.
Novidades do CD novo: depois do carnaval, vai pra fábrica. Acho que primeiro de abril ele chega. Ou vocês não acreditam no dia da mentira?
Ontem estive em São Paulo, vendo as questões do encarte (músico, produtor e contínuo, tudo junto).
Peguei um ônibus na Avenida Paulista e o moço do lado puxou conversa. Bom de prosa, vinte e poucos anos. Relampeou. Ele disse:
“Mas esse tempo é maluco. De manhã tava bom, fresquinho, aí veio um calorão e já vai chover”.
Fui logo respondendo:
“Mas agora é época de calor mesmo. Verão é assim”.
“E o inverno começa quando?”
Até me atrapalhei com a pergunta. Expliquei:
“Mas ainda tem que passar o outono...”
“Depois é que vem a primavera?”
Ô, minha senhora, está achando conversa de maluco? Não é, não. O moço não sabia onde colocar as estações do ano. Mas não era desinformado, conversamos sobre as obras paralisadas no metrô. Puxamos os nomes de umas brincadeiras de criança, até que ele disse: “dá licença, meu ponto é aqui, tchau”.
Como conviver com as estações, sendo nascido e criado na São Paulo de hoje? Qual a importância que tem isso para uma pessoa que vive lá dentro, correndo de um lado para outro? Para que serve? O que vai mudar na rotina?
Fiquei tão desacorçoado que passei do meu ponto. Desci lá na frente e voltei a pé, remoendo a conversa, olhando para o céu, torcendo para que chovesse, que o calor fosse calor, o frio frio, procurando as árvores e tentando lembrar se estavam florindo na hora certa, pegando a folhinha no chão para ver se amarelava.
Olhei em volta e fiquei até meio preocupado. Ué, onde que eu estou? Não conheço esse lugar. Quando parei de encarar as árvores, céu, folha no chão e esvaziei a preocupação, vi que estava bem na Avenida Rebouças. Como é possível ficar perdido em um lugar tão familiar?
Só podia ser isso, o moço do ônibus bem que me avisou: roubaram as estações.
E agora?