Oi, zente, acabo de chegar de uma semana bastante animada. Primeiro fui à Florianópolis, dar uma “Oficina de Causos” (uai, mas será que isso se ensina?), e fazer um show de viola. Vai ouvindo...
Há cinco anos vem sendo promovida a Maratona de Contos, em Santa Catarina. Durante uma semana, contadores de histórias dão oficinas, participam de discussões e apresentam-se para escolas e público em geral.
Nos dois últimos dias, acontecem maratonas de histórias. Contadores revezam-se no palco, sem parar, o dia inteiro. A platéia vai mudando, os interessados se inscrevem e os causos vão desfilando.
É impressionante como este trabalho se firmou em Santa Catarina. Durante o ano inteiro são oferecidos cursos de formação, oficinas e espetáculos pelo projeto “Baú de Histórias”. Aí quando chega a maratona vemos o resultado, tanto no público como nos contadores.
Está sendo criado neste Estado um movimento que povoa nosso imaginário e traz de volta o momento de contação, a prosa embaixo da mangueira, o encontro do ser humano. Quem promove isso tudo? Ara, o SESC Santa Catarina, claro.
Depois fui participar do V Festival Nacional do Saci. Faço parte da Associação Nacional dos Criadores de Saci, já tratei do assunto em outras oportunidades aqui no blog. Entonce, o festival conta com trilhas na mata para ver o tal, mergulho na cultura popular, espetáculos com violeiros, cururueiros, danças. A cidade inteira participa com suas barraquinhas típicas e as conversas sobre as aparições do saci. Tudo isso com apoio da Prefeitura local. Onde? Ara, em Botucatu, claro.
Finalmente, hoje de manhã, segunda-feira, fui tomar um café na padaria. Quando estou saindo, escuto alguém me chamar: “Ô, Firmino”.
Firmino é um personagem criado para representar o tropeiro. Um programa de televisão produziu uma série que está mostrando toda a saga do tropeiro, que viajava do Rio Grande do Sul até Sorocaba (SP), levando mulas. Travessias de rio, formações da tropa, criação de cidades que ficavam na rota, gerações de tropeiro. Ah, não dá nem para começar a contar o que acontece. Só assistindo o programa, que vai ao ar até o final de setembro.
Apareço contando algumas histórias, caracterizado no Firmino.
Eu não conhecia esse homem que me chamava na padaria. Dei bom-dia para ele, que foi logo me dizendo:
“Então, Firmino, tá cheio de gente que vai até Santiago de Compostela fazer caminhada, enquanto aqui no Brasil tem tanto assunto para ser desbravado, não é mesmo?”
Sorri para ele e concordei. Nada contra Santiago, mas tudo a favor do mundo de causo que existe por aqui.
O que foi, minha senhora, que programa de televisão é esse? Ara, o Globo Rural, claro.
Tô carregado de felicidades. Boa semana procês tudo.