O progresso foi chegando e o sonho se concretizou. As máquinas passaram a realizar os trabalhos chatos e totalmente mecânicos. Sobrou mais tempo para o ser humano poder fazer coisas que não sejam aborrecidas.
Por inexperiência da espécie, o homem não conseguiu aproveitar bem este momento. Além do desemprego para o lado de muitos, surgiu uma nova problemática que apresentarei agora a solucionática. Vão ouvindo.
O sujeito que teve mais tempo livre acabou fazendo besteira. Meteu-se com drogas, inventou assunto para guerra, roeu unha, ficou abestado na frente da TV.
É por isso que, por meio desta blogada, venho sugerir a criação da FOC – Faculdade do Ócio Criativo. Nós vamos ensinar a pessoa a ficar à toa, mas com substância.
Os caipiras terão um papel importantíssimo. A aula do pito, por exemplo. Plantar o milho. Tirar a palha, aprender a desfiar o fumo, manejar o canivete, preparar a palha, fazer a covinha na mão, encostar na árvore, perdão, achar uma boa sombra e, aí sim, encostar, meter o pé no riacho, arrematar e acender o pito. Tá bom, não precisa nem tragar, só solta uma fumacinha que o serviço tá feito.
Vocês acham que uma pessoa freqüentando estas aulas vai ter disposição para soltar bomba ou ficar doidão?
Aprender a conversar fiado, na frente da venda, vendo o movimento. Na FOC aboliremos os shoppings e recriaremos a mercearia.
Curso de causo, piada, construir pipa, conhecer o vento, corrida de bóia de pneu em rio calmo, sentar na praça, olhar as ondas irem e virem na praia, conhecer o céu... bom, agora é a vez de vocês.
A semente está lançada. Os cursos à disposição para serem criados e estabelecidos. Vamos trabalhar, gente. Senão teremos que agüentar esse povo atormentado nos tocando de um lado pro outro.
Vocês que não fazem parte dessa massa, vamos!