Comecei a “me achar” de uns dias para cá. Vai ouvindo...
É que caiu a ficha. Qual é o grande movimento da música brasileira atual? Assim como teve a Bossa Nova, Tropicália, Clube da Esquina etc?
Lendo, ouvindo, viajando, conversando, ficou muito claro: os Independentes.
Sim, o artista cresceu e cuida de sua produção. Não depende de palpite de produtor e gravadora. Quer dizer, ainda existem os que obedecem, mas estes estão entrando pelo cano.
Grandes artistas, já mais maduros, também estão correndo para pegar carona em nosso movimento.
É sim, minha senhora, disse nosso porque eu também estou nessa. Tudo que faço é independente. Quer dizer, um dos meus CDs não é. Bem feito para mim, está há 5 anos fora de catálogo. Virou lenda. É como se não existisse.
O independente é aquele que participa da produção do começo ao fim. Quer dizer, dos primeiros ensaios até a distribuição. Dessa maneira conhecemos todo o caminho e procuramos, nos unindo e trocando informações, resolver as questões que vão surgindo. E o produto final nos pertence.
O senhor pode dizer: “é, mas não aparecem nos programas de TV, nas rádios, de que adianta?”
Aí que está a questão. Não aparecemos em todos os programas, mas sim nos que interessam. Naqueles que são independentes como nós. Que não transformam a arte em um produto qualquer, apenas para ser vendido.
Até chegar no final do ciclo: os ouvidos independentes. Aqueles que não precisam ser convencidos a comprar nada; que saem de casa buscando o que lhes agrada.
Quem? Ara, é do senhor e da senhora que estou falando.
Entonce, podem estufar o peito e começar a se achar. Viva nós, independentes!