Um crítico disse que a música que eu faço é o “pós-caipira- de raiz”. Nunca consegui entender o que isso significava, até que veio a luz. Vai ouvindo...
Nasci em São Paulo, capital. Cresci na cidade grande. Sempre gostei de ir para o campo (e para a praia!), mas morava na Sumpalo.
Aí embarquei para o sertão, a viola me pegou, e gostei tanto da roça que virei um... pós-caipira.
Pós, neste caso, é aquele que chegou depois.
Nós, os pós, damos muito valor ao caipira. Buscamos a ética, o modo de viver, a arte feita na roça.
No outro sentido, o homem do campo sempre acreditou que o bom é mudar para a cidade e “ser alguém na vida”.
O que para mim era a visão do paraíso, pro caipira era um dia-a-dia muito do normal.
Cansei de ver menino que mora numa chácara linda, cheia de bichos, lagoa para nadar, árvore para subir, mas grudado na televisão.
Resumindo: os pós acreditam em mula-sem-cabeça. Os pré em uma carreira acadêmica.
Tô confuso?
Então arremato com uma frase do Mário de Andrade:
“Vocês (artistas) não têm calibre. Matam onça de avião, mas para matar pernilongo ignoram a existência do flit”.
Bão!