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ITAQUAQUECETUBA!!


Vocês sabiam que para ser violeiro tem um tanto de estrada diferente? Pois então, depois que morei no sertão de Minas, passei uns meses no sertão da Escandinávia. Claro, no inverno.

Trabalhei em um navio tocando samba (no violão) enquanto as mulatas sambavam. A rota era Helsinque - Estocolmo. Sempre que o navio chegava a um porto, eu punha uma roupa especial - que chamavam de “garrafa térmica” - e ia passear, vendo o tanto de branco diferente naquele mundo de neve.

Só não sei precisar se o causo acontecido foi na Suécia ou Finlândia, o navio balançava muito e acabei misturando a memória. Mas vão ouvindo...

Tínhamos um tempo livre em cada um desses países, aí eu pegava um barco para passear e conhecer os fiords (quer dizer, ver nevoeiro), ou ir até alguma cidadezinha visitar atrações turísticas.

Justamente em uma cidade perto da capital, fui a um Museu de História Natural muito importante. Era tudo bem explicado e criaram instalações para cada época da história da humanidade. Montaram uma grande floresta, dinossauros mexiam as cabeças, atores vestidos a caráter poliam pedras e desenhavam nas paredes.

Aí aproximei-me de uma instalação do museu com bastante gente em volta. Tive uma impressão meio esquisita, de reconhecer algo próximo, uma sensação boa. Apurei os sentidos, cheguei mais perto da tal instalação e vi, em volta de uma fogueira, alguns homens das cavernas brigando pela posse do fogo.

Ah, naquele instante entendi minha emoção, o que eles diziam era muito familiar. Enquanto agitavam os porretes, gritavam ameaçadores:

“Ubatuba! Guaratinguetá!”

Outro respondia:

“Itaquaquecetuba! Bertioga!”

Chegavam a se atracar, para delírio dos escandinavos que assistiam a um enfrentamentozóico.

Ao final da sessão, o público afastou-se e cheguei perto da caverna, por onde haviam sumido nossos antepassados. Passei pela cordinha e chamei:

“Hei!”

Um dos seres apareceu e ficou me olhando. Então eu disse, em bom português:

“Francamente!”

Os outros correram para fora. E concluí, firme:

“Ca-ra-gua-ta-tu-ba!!!”

Me puxaram para dentro da caverna e explicaram a situação. Eram músicos brasileiros que moravam por ali. O serviço tava pouco e foram defender um cachezinho, atuando como homens das cavernas.

Nunca poderiam imaginar que outro brasileiro apareceria no museu daquela cidadezinha perdida na Escandinávia, e presenciasse os conterrâneos metidos num monte de pelo, lutando pelo fogo, enquanto gritavam ameaças tão terríveis na língua-zóica inventada.


Escrito por Paulo Freire ás 11h01 [ ] [ envie esta mensagem ]



O MOÇO DA LANCHONETE


Ustro dia mesmo, estava fazendo um show com o Tuco e o Adriano, quando aconteceu um fato curioso. Vão ouvindo...

O lugar não era muito apropriado, ao lado de uma lanchonete. Aí misturou o público que queria ouvir com o que queria comer. Uns sabiam o que estava acontecendo, outros se perguntavam o que aquele moço fazia grudado na viola e nos causos.

Foi meio dificultoso, deu o que fazer para o povo romper junto com a gente. Mas pelejando aqui e ali, o negócio foi dando certo. Só o que incomodava era a campainha da lanchonete anunciando o número de senha do sanduíche pronto.

Alvarenga e Ranchinho, coco de viola, causo do capeta e lundu.

Terminamos a apresentação, com direito a bis e tal. Depois tomamos uns copinhos d’água, e voltamos ao palco para recolher os instrumentos.

Na primeira mesa, bem em frente ao palco, tinha um pessoal terminando o chopinho. No começo do show, esse povo tava pensando na morte da bezerra, mas no meio já participou bastante.

Um moço ali me chamou e fui até a mesa.

“Parabéns, gostamos muito”.

“Obrigado” – agradeci, cumprimentando.

“Posso perguntar uma coisa?” O moço quis saber.

“Claro!”

“Você trabalha com o quê?”

“Como assim?”

“Trabalhar.”

Eu ali, quas’que esvaziado depois do show, só pude responder.

“Tocando viola.”

“Só?”

Olhei pra viola, pedindo socorro, mas ela tava quietinha dentro do estojo. O moço continuou:
”Tocando viola? Você tem família?”

Pensei nos meus filhos, a viola teimava em ficar muda. O Adriano me viu em apuros e gritou, enquanto ajeitava a percussão:
”Vambora, Paulo, o carro já chegou.”

Estava cansado de buscar recurso para fazer aquela apresentação, não sabia o que responder pro moço. Aí eu disse, enquanto abraçava a viola, escapou assim devagarinho, feito resposta pronta para pergunta atravessada:

“O diabo na rua, no meio do redemunho”.

Claro que o moço arregalou um olhão, sem entender direito. Ainda mais depois do causo que contei do capeta descendo o rio e que a viola teimou em tocar sozinha...

Entrei no carro, fechei os olhos, e fingi que dormia, enquanto meus pensamentos rodeavam por conta deles mesmos durante os 150 km que separavam a lanchonete da minha casa.

 


Escrito por Paulo Freire ás 08h40 [ ] [ envie esta mensagem ]




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