Fui fazer uma apresentação esta semana em Luziânia, perto de Brasília. No caminho para lá, a conversa descambou para a estatística dos motoqueiros mortos diariamente na cidade de São Paulo. Estávamos em cinco pessoas dentro do carro. Depois de escutar alguns acidentes trágicos, o motorista disse o seguinte:
“Então, vi na televisão outro dia a estatística de nascimentos. Vocês conhecem?”
Ninguém sabia e ele explicou.
“Nascem três bebês, por segundo, no mundo.”
“Três?” – perguntei.
“Isso mesmo. Veja só: plim, três, plim, seis... Agora mesmo já são nove”
Fiquei imaginando o chorinho, a emoção do pai, a mãe dando vida! O milagre se sucedendo, sem parar, no mundo inteiro. Nossa, foi me dando uma alegria. Assim, a conversa caminhou para assuntos do cotidiano, as pequenas e grandes alegrias. A mudança de rumo do motorista nos deixou: “infeccionando a miséria/com vida nova e sadia/com oásis, o deserto/com ventos, a calmaria” – João Cabral.
Cada vez que vou para esta região me encanto com o cerrado. As árvores com os galhos tortos, se esticando para os lados; as raízes buscando espaço, caminhando. A cagaita e o pequi. Mais adiante, o buriti, bebendo suas águas.
Só de entrar no cerrado, e admirar os vastos campos gerais, vem ligeiro a sensação, ainda mais que estou grudado no tal livro: “Sertão, é quando menos se espera”.
O que foi isso? Um choro, outro. Plim, já nasceram mais três, vai ouvindo, vai ouvindo...
Ôps, tenho que ir para São Paulo, contar causo no SESC Pompéia. Bem que o senhor e a senhora, que pararam agora por aqui, podiam aparecer, hein? Aí vai ser especial. Vejam na Agenda.