Tem uma conversinha que não dá mais para agüentar. É quando você está saindo de viagem e a pessoa diz: “ah, antigamente lá era bom, não é como hoje em dia que não tem mais isso e aquilo...”
Isso vale também para festa:“ah, no meu tempo quando a gente chegava...”;
Show: “quando ele entrava no palco as pessoas ficavam muito mais...”
Eu pensava que esse povo tinha saudades das cavernas, onde reside a verdadeira felicidade do ser humano. Pois antigamente já se achava que mais antigamente era melhor.
Agora mudei meu pensamento. Vai ouvindo. Conheço gente que nos anos 70 lutava pelos ideais, alguns foram presos ou exilados; e dizem que os jovens hoje não mais blá blá blá. Hmmm... essa mesma gente está com um emprego (muitas vezes cabide), “sentado num apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar.”
Ora, se hoje em dia nada mais presta é porque o cidadão em questão é que não presta. Porque enterrou o sonho e luta para deixá-lo escondido, mesmo que vá apodrecendo. Não reconhece a própria catinga, então põe na conta dos outros.
Sim, continuo no Grande Sertão, resolvendo o assunto enfrentando os jagunços de frente, ou esperando a hora melhor, mas enfrentando:
“Se vinha sem beiradear, mas sabendo o rio”.
Que foi, minha senhora? Quem tá bravo? Eu? Ara...