Estou de ressaca. Foliei a noite inteira, quer dizer, todos esses dias. Os dedos calejaram na viola e no baralho, quem me vê aqui cantando pensará que eu não trabalho. Era um tanto de vaca e boi no curral se espremendo de fazer inveja a qualquer salão de gente quase sem fantasia. Pois os bois e as vacas se peladaram de uma vez e espremeram mais que em baile funk e já vem bezerro nascendo.
Quarta-feira de cinzas, agora é sério.
Tirar leite não tem fim. Mesmo no Carnaval as vacas produziram e o abacate plantado ganhou viço. Falar nisso, estar no meio de uma bateria de escola de samba é que liquidifica a gente para ganhar viço no trabalho, e ficar prontinho para calejar os dedos na viola e no baralho.
O sapo, no escurão do brejo, ah, esse não vale nada. Não ponho a mão no fogo por sapo nenhum. A rã, linda, branquinha, pele macia, úmida, como que vai na conversa dele? E eu na porta do clube em Januária, sem moça que atentasse em mim. É injusto demais. Carnaval às vezes dá muita tristeza.
Nessas horas que corro e desafino a viola, deixo tudo atrapalhado. Vou ponteando até encontrar o caminho errado. E é bem aí que... TRUCO! Quem me vê aqui cantando, pensará que não trabalho, trago os dedos calejados na viola e no baralho.