
É, são eles mesmos, os Stones, os tiozinhos. Apeia, moço, vamos falar do violeiro lá deles, o tal do Keith Richards.
Fiquei vendo na televisão, o mar de gente ao lado do mar do mar. O cantador recolhia a atenção. Mas, para mim, bastava um pinicado, um ponteado, um pagodinho, que despencava na guitarra-viola do tal.
É, dona, não vai ficar brava com meu olhar desfocado. Ah, que bom, a senhora concorda comigo. É que não se conquista a alma da cabocla com um mundo de nota musical. Isso nunca dá certo. O que conta é o carinho certo e inesperado.
Por isso, justamente, quando o tal Richards dava um toquinho ali, uma puxada acolá, quase que solto no meio da música, é que meu sentido violeiro corria para ele e tentava aprender onde está o segredo de revelar tantos segredos.
Claro que tem o outro moço guitarrista, o grupo todo, mas aqui nós tamos falando é de violeiro!
Impressionado pela energia do cantador lá deles, concluí: só correndo, provocando e sendo bão mesmo para poder conviver tanto tempo com o ponteado endiabrado.
E o jeitão do Keith? Pitando o cigarrinho de palha, os dedos tortos da lida na roça, acocorado embaixo do pequizeiro, fazia careta e sapateava na parede.
O amigo violeiro pode atentar no que estou afirmando: ele tocou em rio abaixo. Explico, uma afinação em sol maior, que é também a que o capeta usa quando desce rio abaixo para carregar o coração das moças.
Vai ouvindo, vai ouvindo...