O senhor ou a senhora com certeza já assistiram algum festival de música e pensaram: ah, eu faria uma canção melhor que essa.
O amigo e a amiga que trabalha com música e poesia já enviou ou conhece alguém que compôs música para festival.
Então vão ouvindo...
Ontem assisti pela TV Cultura o Especial Musical “Uma Vez Uma Canção”, conduzido pelo Carlos Rennó e tendo como convidado Gilberto Gil.
No programa, estimulado pelas questões do Rennó, Gil conta como compõe suas canções, entre elas “Domingo no Parque”. Lá foram eles, discorrendo sobre a “levada” do berimbau para a primeira parte que apresenta os personagens - o rei da brincadeira ê José - a mudança harmônica que conduz a trama – na semana passada, no fim da semana - e finalmente o tratamento das cenas cinematográficas que apresentam o drama – Juliana na roda com João, uma rosa e um sorvete na mão.
Quem não se lembra direito, procure a letra, ouça a música.
Eu sou um pouco “erado”, quer dizer, conheço a canção desde o Festival da Record, que assisti em casa pela TV e também ao vivo, pois meu pai, Roberto Freire, era jurado.
Pois bem, no programa, Gil revelou que fez a música pensando em competir no Festival. Ali ele não sabia que estava fazendo história, sua intenção era buscar as novidades e força de criação para entrar no evento.
Foi aí que eu desanimei. Não em relação ao Gil, claro, mas em relação a mim. Lembrei das músicas que compus pensando em Festival e comparei com “Domingo no Parque”. Minha Nossa Senhora da Bicicleta, mas que distância... É uma mistura de desânimo com estímulo a querer melhorar. Mas também uma revelação de caminho, quer dizer, uma vozinha sussurrando: “volta pra viola, volta pra viola”.
E também a lembrança de meu pai dizendo que, além do talento do compositor, tem a explicação que ele foi levado pelo momento que vivia o país. No instante da criação, Gil foi ajudado pela força de uma juventude, da qual ele também fazia parte, que buscava a realização de seus ideais.
Assim vamos descobrindo onde estamos pisando. Quero mais. Muitos parabéns para o Rennó, também poeta, que foi ajudando o artista a reconstruir as canções.
Como, minha senhora? O arranjo do Duprat? Ah, isso é outra história...