Tenho muita dimiração pela mocinha portuguesa entregando um lenço ao marinheiro que embarcava rumo ao Brasil. Quanta coragem para esperar seu noivo voltar de viagem tão longa. E o marinheiro então? Muita dimiração pelo moço que atravessava o Oceano e lutava contra os perigos da natureza, dentro de caravelas tão precárias.
Desembarcar no Brasil e enfrentar mata fechada, com chuva, mosquito e índios selvagens. Vinham de tão longe para salvar a alma dos índios.
Muita dimiração com o serviço de elevar Tupã a Deus. Precisavam de um deus que fosse o Deus e acharam que Tupã poderia ser Ele. E onde tem Deus carece da presença do diabo. Dimiro muito o jesuíta querer que Jurupari aceitasse esse papel. Tudo para diminuir sua importância e tentar colocar alguma ordem no céu do bom selvagem.
Ah, nossos primeiros habitantes ficaram dimirados quando enfim viram as caravelas, com homens carregando lencinhos de suas amadas. Os índios queriam acreditar ter avistado o paraíso aqui na terra: as caravelas e sua tripulação de bons selvagens.
Apesar do sonho não realizado, começaram a se amar e muitas moças portuguesas acabaram descobrindo que entregaram o lencinho à toa.
Vieram escravos negros que já eram escravos de negros e agora seriam de brancos. A solução para o trabalho, desde o começo dos tempos, é arrumar escravo. Dimiro muito o senhor. Será que custa levantar e lavar o próprio prato na pia?
Fomos juntando as raças pelo amor. Estou querendo dizer também o carnal.
Num instante ele nos gerou. Agora podemos usar os computadores. Ligar a máquina e nos encontrar. Quando poderíamos imaginar, minha senhora, tanta possibilidade de conversa?
Muito prazer. Falei demais, passa o vinho.
Obrigado.
O que foi? Fala mais alto.