Na semana passada, participei de um projeto do SESC Ipiranga chamado “Caipira ou Sertanejo”. Tiveram muitas coisas boas. Primeiro o prazer de estar apresentando o “Esbrangente”, junto aos violeiros Roberto Corrêa e Badia Medeiros. É um show delicioso de fazer, nos divertimos muito e as pessoas que assistem nos dizem sentimentos muito especiais.
Mas vou contar agora sobre a honra de dividir o palco com Inezita Barroso.
Já se falou muito sobre ela,vou dar mais um pitaquinho. Enquanto assistia sua apresentação, verifiquei algo muito impressionante. Vão ouvindo... por toda sua história e presença no palco, ela já entra em cena com o jogo ganho. Mas não é isso que acontece. Mesmo tendo cantado milhares de vezes “A Moda da Pinga” ou “Lampião de Gás”, parecia que era a primeira vez. A emoção é buscada ali, naquele exato instante. Para Inezita não existe o piloto automático.
A platéia entrega flores, aplaude de pé. Nós ficamos ali ao lado, boquiabertos, perguntando se ela precisava mesmo de um microfone (que emissão de voz!), encantados com as pérolas que vai nos revelando nas canções mais desconhecidas de seu repertório.
Aí lembrei-me que algumas vezes já ouvi falar que precisa haver uma renovação no elenco de apresentadores de programas musicais em nossa televisão. Mas quais programas musicais? Quantos existem?
E mais, vai ouvindo, seria ótimo uma renovação, novos valores aparecendo. Mas o senhor e a senhora, me digam, o que acham que vai acontecer no dia que a Inezita parar de apresentar o “Viola Minha Viola”? Eu não tenho a menor dúvida. O programa é a Inezita. Se ela parar, o programa some. Mesmo que continue com alguém apresentando.
Eu sei, precisa ter uma renovação. Então façamos assim. O povo que mexe com televisão pensa um novo programa (é renovação ou não?), prepara um novo apresentador, cria um estilo, abre um novo espaço. Aí teremos várias opções. Mas não venham querer atrapalhar o programa com maior personalidade - e símbolo de resistência - do caboclo brasileiro.