TÁ QUASE!
Amigos, estou metido na produção dos shows, para tudo escorregar conforme as surpresas que decerto vão acontecer. Ensaiamos bastante. Agora um quarteto: Tuco Freire, no baixo; Adriano Busko, bateria e percussão; e o Alexandre Ribeiro, clarinete. Adaptamos os arranjos do CD e preparei os causos novos. O show vai ter também a iluminação do Roberto Mello e sonorização do Renato Coppoli. O Kiko Farkas fez o painel do causo da “Lagoa Encantada”, que vai servir de cenário. Um dia conto sobre essa vida de produtor. Além de estudar a violinha e dar conta das encrencas inventadas, ainda tem que se meter em um monte de assunto. Quem manda? O Leminski já dizia: “Choveu na carta que você mandou/ quem mandou?” Cês podem espalhar a notícia? E, importante, vir conferir de perto. O CD vai estar mais barato nos shows. Mágicas da produção!
Escrito por Paulo Freire ?s 14h43
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SHOWS CONFIRMADOS Queridos amigos. Tudo confirmado. Seguem os shows de lançamento do "Nuá". Vou detalhando por aqui mesmo. Vocês têm que aparecer!!!!!!! 1 e 2 de julho – Teatro Anchieta, SESC Consolação – 21hs 3 de julho – São José dos Campos – SESC – 21hs 8 de julho – Ribeirão Preto – Teatro Municipal – 21hs 10 e 11 de julho – Rio de Janeiro – Sala Baden Powell – 20hs 18 de julho – Araraquara – SESC – 20hs 22 de julho – Belo Horizonte -Auditório do Museu de Arte da Pampulha – 21hs 24 de julho – Curitiba – Teatro Paiol – 21hs 25 de julho - Porto Alegre – SESC – 20hs 31 de julho – Campinas – SESC – 20hs
Escrito por Paulo Freire ?s 17h59
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1, 2 e 3 Só está faltando definir um dos teatros. Em São José dos Campos já teve gente que descobriu, dia 3 de julho. Em São Paulo será nos dias 1 e 2 de julho, no Teatro Anchieta - SESC Consolação. Os outros vou dizer tudo de uma vez. Ah, me falaram que era bom entrar no tal do twitter. Fui lá e fiz uma gracinha. Alguém me diz se esse negócio é bão para prosear? Estamos afiando os causos e a violinha!
Escrito por Paulo Freire ?s 20h47
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A VIOLA E OS MITOS BRASILEIROS Agora vou explicar porque sumi esse tempo. Me meti numa empreita grande: escrever os encontros que tive com nossos mitos. Depois fiz uma música para cada um deles, dei aos amigos grandes arranjadores, levei-os até o local que tive a peleja, chamei os mitos e revivemos o encontro. Vieram Léa Freire, Proveta, Bocato, Paulo Braga, Nenê, Ronaldo Saggiorato, Toninho Ferragutti, Tuco Freire, Valéria Bittar e Luiz Fiaminghi (grupo Ânima) e o grupo Sonax. Estes músicos voltaram para casa e escreveram os arranjos. Entonce chamamos os instrumentistas, um mais danado que o outro. Eles também toparam com os mitos e não correram. Cada um deu seu precioso palpite e tocamos tudo. O Homero Lotito ouviu nossa música e prendeu o som. Aí chamei o Kiko Farkas, ilustrador, que também já tinha encontrado com estes seres e fez desenhos impressionantes. Pronto. O bitelo está chegando. Em julho tem lançamento. 11 shows espalhados. Vocês estão por aí? Posso falar onde vai ser?
Escrito por Paulo Freire ?s 15h26
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SI BEMOL Nos anos 80, fui trabalhar na Bélgica e fiquei amigo de um casal de passistas de escola samba do Rio de Janeiro. Eles tinham ido com uma grande companhia de espetáculos apresentar-se pela Europa. A companhia voltou ao Brasil e eles resolveram ficar no velho mundo. Trabalhavam com alguns grupos e calhou de estarmos juntos em uma turnê. Ela chama-se Sandra, e ele, Márcio. A Sandra, mulata bonita e o Márcio um negrão sacudido. Os dois sempre arrasavam com seus números: a Sandra no pé e nos atributos e o Márcio no pé e no malabarismo com o pandeiro, se bem que a mulherada também gostava de seus atributos. Fomos nos tornando íntimos e logo apelidamos o Márcio de Si Bemol. Porque o cara era forte e tinha um vozeirão grave que só poderia estar nesta tonalidade. O causo foi o seguinte, em uma de nossas viagens, começamos a conversar sobre os relacionamentos. Eles contaram com naturalidade as histórias do morro onde moravam, no Rio, de homem que batia em mulher; e mulher que espancava homem. A questão era resolvida no braço. Então a Sandra revelou: - Graças a Deus, o Márcio nunca levantou a mão para mim. E o Si Bemol ajuntou: - Você também nunca deu motivo. Quer dizer, só aquela vez... Silêncio. Não posso ver silêncio numa hora dessas. Apertei a Sandra, pois sabia que o Márcio não ia contar de jeito nenhum. - Que você fez, Sandra? Si Bemol relaxou: - Fala, mulher. Pode dizer. - Teve uma vez, não lembro o que o Márcio aprontou... Não foi, amor? Bom, sei que fiquei muito brava e bronqueei. Gritava com ele. E o Márcio ficava desse jeito aí, calado. Márcio sério. - Fui ficando nervosa, porque não dizia sim nem não. Continuava quieto, sentado em uma cadeira, olhando pela janela de casa. Comecei a apelar e peguei mais pesado, para ver se reagia. Claro, com medo de levar um tranco, eu chegava quase no limite. E ele, quieto. Si Bemol murmurou: - Você encheu bem o meu saco. - Também, amor, não lembro direito o que era, mas você tinha feito alguma coisa muito errada. Fui bronqueando, xingando, berrando. Até a hora que ele parou de olhar pela janela. Márcio levantou da cadeira, e veio em minha direção. Gelei. Esse negão com a cara fechada, depois de tudo que eu tinha dito. Xiii, pensei, acho que exagerei. - E exagerou mesmo – ele reforçou. Sandra tomou fôlego e continuou: - Quando passou por mim, Márcio deu um esbarrão e resmungou: “Vou buscar peixe”. Si Bemol olhou para mim, quase sorrindo. Virou-se para Sandra e apertou: - Vai logo, neguinha, conta! - Então abriu a porta do barraco e foi embora.Respirei aliviada. Ufa, escapei de boa. Me arrumei toda e fiquei esperando ele voltar, cheia de amor para dar, arrependida de ter atormentado tanto. Né, amor? A noite chegou e nada. Dia seguinte de manhã, procurei pela vizinhança, e cadê esse homem? Ninguém sabia nada. Si Bemol reforçou: - Você encheu bem o meu saco. E ela arrematou: - Três dias depois, eu já estava seca de tanto chorar, quando a porta do barraco se abriu. Ele veio com este sorrisão lindo, jogou um pacote em cima da mesa e foi tomar banho. Debaixo do chuveiro, gritou para mim: “Amor, prepara o peixe pra gente. Deixei aí, em cima da mesa”. Sandra sentou-se no colo de Márcio, fez um carinho e disse: - Ainda bem que você voltou. Comecei a rir e olhei para ele. Reclamou: - Qual é a graça, Paulo? Eu disse que ia buscar peixe. - Mas três dias depois, Si Bemol? - Com o peixe - reforçou. Sandra abraçou e beijou o marido. Então me disse, marota: - Agora, você acha que eu sou louca de perguntar para este monstro o que ele ficou fazendo estes três dias fora de casa? Silêncio. Já disse que não gosto de silêncio numa hora dessas. Mas gosto muito menos de apanhar, então fiquei bem quietinho admirando o sorriso do Si Bemol e a beleza da Sandra.
Escrito por Paulo Freire ?s 14h50
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QUEM VAI? Bão demais. Os amigos vieram e trabalharam de verdade. Agora é hora de bestar. Já troquei as cordas. Se alguém se dispuser a sapecar a violinha, eu conto um causo de sumiço.
Escrito por Paulo Freire ?s 12h34
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TRAIÇÃO Será que ainda tem alguém por aqui? Péra aí, deixa eu abrir esta porta. Quééééééé.. Tá rangendo. Aranha viva e barata morta pelo chão. Vou abrir a janela. Nossa! Como fui deixar este blog tão abandonado? Vou pegar o esfregão, carpir o mato, caiar as paredes, parafusar o frouxo. A violinha tá aqui no canto Deixa eu ver. Xiiiiii, tenho que trocar as cordas. Também faz meses que não venho aqui. Só chamando os amigos para dar um jeito. Seu Badia me disse que em Buritis, eles não dizem mutirão, mas traição. Assim: o companheiro precisa terminar a casa. Os amigos e vizinhos combinam – sem que ele saiba – e no domingo seguinte aparecem de surpresa. Traição. Terminam a casa. As mulheres vão junto. Ajudam no serviço e fazem almoço. Depois o povo pega na viola e faz festa. Cês bem que podiam aparecer pra traição. Quem está aí?
Escrito por Paulo Freire ?s 08h59
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CPFL e PREQUETÉ Não sei se os amigos blogueiros sabem, mas moro em Campinas, Estado de São Paulo. E aqui tem coisas muito importantes.
Por exemplo, já estamos bem encaminhados no mês de agosto e uma questão está me martelando: cadê o Espaço Cultural da CPFL?
Freqüentei demais este espaço. Fui como público - junto com minha família - e artista.
Graças a uma caprichada programação, tínhamos uma garantia de qualidade nos diversos eventos oferecidos. Assisti shows, espetáculos de dança, filme, palestra, teatro etc.
O negócio deu certo. As apresentações viviam lotadas. O Espaço Cultural virou ponto de encontro das pessoas.
Vão ouvindo... Minha primeira apresentação neste espaço foi a convite do então curador do núcleo de MPB, Benjamin Taubkin. Fui mediador-violeiro do embate dos Presidentes de duas Associações: os Criadores de Saci, de Botucatu, frente aos criadores de Lobisomem, de Joanópolis. É sério.
A última foi no final de 2007, um Sarau dos curadores Tucun e Carlão. Apresentei-me com o mestre do sertão Badia Medeiros, e também com o incrível Trio Conversa Ribeira.
Pois em 2008 a programação sofreu um corte brusco, vários projetos saíram de cena. O assunto está no ar. Outro dia fui à casa de meu tio, o José Prequeté, e conversa vai, conversa vem, o tema voltou.
"Bom, tio, mas acho que temos que ver o lado positivo das coisas. Pelo menos durante quase cinco anos tivemos a bênção de poder desfrutar de um projeto cultural tão importante promovido pela CPFL."
Às vezes meu tio é um pouco irritante. Olha para mim de um jeito de quem vai dar um tranco. Dito e feito. Foi logo retrucando:
"Você parece bobo, Paulo. Tá muito errado."
"Vai logo, tio. Pode falar".
"Uai, você tá dizendo que lá vivia cheio porque a programação era muito boa?"
"Sim, senhor."
"E está agradecendo a este espaço porque ele fechou?"
"Não foi isso que..."
"Fica quieto, menino. Eles pediram desculpas aos artistas? Comunicaram que não teria mais programação?"
"N..."
"Fica quieto. Acredito que seus colegas artistas não recusavam o convite de se apresentar na CPFL. Você sempre disse que lá era muito bom. Então quer dizer que vocês ficam à disposição deles para a programação e depois não recebem nenhuma satisfação?"
"Pera aí, ti..."
"Não mandei você falar ainda! E como é esta questão cultural? Se o negócio foi criado para um fim, está dando certo, de uma hora para outra fecha as portas? Hmmm, isso é muito estranho. Um lado não fica sabendo que a relação acabou. Ou eles fizeram tudo sozinhos? Ou estes curadores sabiam que o projeto tinha vida curta e não disseram nada aos artistas, que também apostavam no espaço? E mais, tem mais!”
“Peraí, eles querem descentralizar a programação, levar o projeto para outras cidades e isso é impor...”
“Cala a boca. Foi pra onde? Quem está fazendo esta programação? Quais artistas estão lá? ”
"Isso eu não sei, só ouvi falar. O senhor está de muito mau humor. Vou embora".
Bati a porta e ainda pude escutar da calçada:
"Não terminei, volta aqui. Volta aqui!"
E agora? Volto lá pra ouvir o resto?
Escrito por Paulo Freire ?s 12h41
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TESÃO VIOLEIRO Queridos amigos.
Sim, dei uma sumida. Muitos souberam que meu pai, Roberto Freire, morreu.
Fiquei me aprumando, quieto, por aqui.
Aí saiu essa matéria sobre ele no jornal espanhol "El Pais". http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2008/07/02/ult581u2663.jhtm
Que a UOL traduziu e publicou dia 2 de julho, ontem.
Enviei um mail para o jornal, que segue abaixo. Mandei em português mesmo. Não sei se vão ler, mas o senhor e a senhora por favor dêem uma olhada e sintam-se à vontade para participar da questão.
Beijos violeiros.
Lá vai minha carta:
Fiquei muito satisfeito com o destaque dado pelo jornal espanhol "El Pais" ao meu pai, o escritor e somaterapeuta Roberto Freire. Bem informados, me parece que deram a importância devida à sua figura pública.
Só que em alguns momentos o jornalista escorrega e deixa transparecer um certo preconceito que, aliás, vem acompanhando quem não conhece seu método terapêutico, a Somaterapia.
Vamos aos pontos que ele coloca:
"... a somaterapia, um método revolucionário de psicanálise que colocava os participantes nus em grupo..."
Isso mostra bem o desconhecimento que o jornalista tem da prática da Soma, pois coloca o ‘ficar nu’ como se fosse o maior trunfo da terapia. O que é uma bobagem.
"Quando da morte do escritor, analistas salientaram que o psiquiatra e terapeuta inconformista talvez hoje riria de alguns de seus métodos para curar a neurose".
Essa frase deve ser questionada por partes:
- "...analistas salientaram..."
Quais analistas? Onde está escrito isso? E mais, se estes analistas existem, por que nunca questionaram a Somaterapia quando meu pai estava vivo? Nunca o enfrentaram com textos, artigos ou encontros em palestras? Ele nunca teve medo de qualquer embate, e sua atuação na vida política e cultural brasileira sempre deixaram isso muito claro.
- "... psiquiatra e terapeuta inconformista talvez hoje riria..."
Não, nunca riu, continuou trabalhando sério. Estes métodos foram criados também na convivência de trabalho com Miriam Muniz e Flávio Império. Será que isso é motivo de riso?
Finalmente, não só o El Pais, mas outros órgãos de imprensa fazem questão de dizer: "a família manteve em segredo a causa da morte".
Ora, não temos nada a esconder. Nenhum jornalista entrou em contato com a família. Meu pai estava com 81 anos. Será que é preciso enumerar as questões de saúde que uma pessoa enfrenta nesta idade? Falar de diabetes, câncer, parkinson... Ora essa, fica parecendo que estamos com medo de dizer a causa da morte. Ele viveu intensamente e morreu de uma forma natural.
Sabemos que a Soma já está virando tema de teses de mestrado e doutorado. No Brasil e no exterior. Existem grupos de Somaterapia no Brasil e também em alguns países da Europa, como Inglaterra e Espanha.
Além disso, estamos recebendo propostas para adaptações de suas obras literárias para TV e cinema.
Está parecendo que a obra do Roberto Freire ainda vai passar um bom tempo despertando o tesão em muitas pessoas.
Atenciosamente
Paulo Freire - filho do Roberto Freire e violeiro.
Escrito por Paulo Freire ?s 19h30
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TOPO! Este final de semana próximo, 17 e 18 de maio, estarei no programa “Viola Minha Viola”, da TV Cultura, apresentado por minha querida amiga e mestra Inezita Barroso.
Mas tem mais, vão ouvindo...
Alguns dias atrás, tocou o telefone aqui em casa. Atendi e:
“Oi, Paulo, aqui é da produção do Viola...”
Fui logo interrompendo:
“Topo!”
“Mas como assim, nem te falei o que é?”
“Com a Inezita, topo tudo!” Respondi ligeiro.
E, para minha surpresa, não era só para participar do programa, que já é uma honra. Mas também um convite para criar a nova trilha de abertura do “Viola Minha Viola”.
Corri para o estúdio, gravei, depois fui a São Paulo e estive no programa que vai ao ar este final de semana.
É sempre um acontecimento ir ao Franco Zampari: o encontro com Joãozinho e os músicos do regional, que me mostraram uma música linda do Robertinho do Acordeon; o programa Vitrine estava lá e contei de minha alegria em estar junto ao Viola; e uma das coisas que mais aprecio nestes encontros: a conversa com a Inezita no camarim. Ela vai nos orientando e contando preciosidades.
Depois subi no palco, encontrei o público fiel e troquei aquela conversa boa. Dá vontade de ficar entrevistando a Inezita. Quis até devolver algumas perguntas. É impressionante sua sabedoria e conhecimento da cultura brasileira.
Já disse e repito: é fundamental que um bom entrevistador grude na Inezita e arranque tudo dela. Ali a história escorre, caudalosa, com muita graça e conteúdo. E que depois seja produzido um livro, DVD, para que todos possam ter acesso à vida e obra desta grande artista.
Moço, dona, espero vocês no “Viola Minha Viola”, a mó de cantarmos, todos juntos:
“Eta programa que eu gosto!”
Escrito por Paulo Freire ?s 16h59
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CAMARÁ Quando era mais menino (lá pra 1973), estava encantado com ginástica olímpica. Então meu pai levou-me para assistir uma roda de capoeira. Lembro que era no Bixiga, em São Paulo.
Foi tiro e queda. No dia seguinte entrei na academia do mestre Almir das Areias, na Barra Funda. Guardo ótimas lembranças do mestre Almir. Ele não dava a menor moleza. O treino de capoeira era puxado. Nos finais de semana jogávamos futebol com o time da academia. E bebíamos alguma cerveja.
Acabo de fazer 51 anos. Um vizinho disse que agora eu podia deixar no ponto morto e ir na banguela. Até tentei, mas não parava de cair conta aqui em casa, então tirei a violinha do saco.
O fato é que fiquei desacorçoado com a idade e com um tanto de assunto atravessado despencando em cima.
Aí lembro sempre de uma frase do mestre Almir: “o capoeirista se acha no meio da confusão”. Fui um bom aluno, mas péssimo capoeirista. Meu corpo não se adaptou. Para a bola, sim.
Penso na história da capoeira, nos momentos passados com mestre Almir, no futebol e na academia, e vou dando minhas pernadas. Tentando tirar a poeira da frente pra poder descansar na viola.
Esse ano tenho que fazer um monte de música nova. Tô me inspirando nas esquisitices de nosso quintal. Vou pedir licença para entrar na roda dos mitos. Tá na hora de jogar, camará!
Escrito por Paulo Freire ?s 21h09
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QUEM TEM TEMPO... Outro dia recebi a visita de Levi Ramiro, grande violeiro e amigo.
Comentávamos sobre um trabalho feito nas melhores condições, com calma, as pessoas certas, recebendo direito, fazendo o que gosta. E que o resultado só poderia ser especial de bão. Aí o Levi arrematou:
“Pois é, como diz o meu pai, quem tem tempo caga longe”.
A senhora não se ofenda com a palavra direta. Calma, moço, qual é o problema, o senhor não tem o costume?
O certo é que parei a conversa na hora. Disse pro Levi que não precisava falar mais nada. Pronto, estava tudo ali.
Lembrei-me das tais situações - e quem nunca passou por isso? – de se esconder na primeira moita que aparece e fazer o serviço, pelejando para não ser descoberto. Se aliviando, mas tenso. Sem ter com o que limpar. Sujeito a uma ferroada de marimbondo, situação muito bem descrita pelo Geraldinho.
Tudo porque não foi procurar o melhor lugar, mais sossegado, com condições ideais para encaminhar o trem.
Percebi na frase do pai do Levi, o seu Ramiro, toda a riqueza de um certeiro ponteado de viola. E é uma lição que pode ser aplicada em diversas situações.
O que foi, menino? Que palavra feia nada, é pura filosofia caipira. To be or not to be. Ou como bem traduz o Zé Mulato:
“Semo porque semo, e também porque queremo”.
Moço, dona, agora vocês já estão bem encaminhados, vejam bem onde descarregar a munição!
E vão ouvindo, vão ouvindo...
Escrito por Paulo Freire ?s 20h59
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Olá, queridos amigos
Neste sábado, 23/02, na Livraria da Vila, em São Paulo, estarei contando causos e tocando viola no lançamento do novo livro "O Céu das Crianças", editado pela Companhia das Letrinhas.
O menino nasceu no quarto dos meus filhos, enquanto viajávamos pelas estrelas.
Vejam só a capa, com ilustrações (lindas!!) da Adriana Alves.
A Livraria da Vila fica na Rua Fradique Coutinho, 915. Vila Madalena - Tel. 11 - 3814-5811
Começo da festa:15:00hs
Às 16:30h, show "Brincadeira de Viola".
Apareçam!!

Escrito por Paulo Freire ?s 08h15
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LIBERAR GERAL Muito tem se discutido sobre direitos autorais.
Existe uma idéia que tudo deveria ser liberado, pois assim haveria uma maior divulgação do artista, ou de um escritor. Assim, ele só teria a ganhar lá na frente.
Vai ouvindo... Meu pai, Roberto Freire, passou a vida escrevendo livros e desenvolvendo a Somaterapia. Seu patrimônio são os livros. Nunca se preocupou em comprar imóveis, ou aplicar na bolsa, nada. É uma vida dedicada à literatura e à Soma.
Assim como tem gente que dedica sua vida a juntar dinheiro.
Por que um apartamento tem mais valor que um livro?
Eu acho uma idéia ótima liberar geral. Desde que seja geral. Livro, casa, música, lancha, praia particular etc.
Muita gente pede que eu grave meus causos em algum CD. Por princípio sou contra, pois o legal do causo é a transmissão oral, o calor do contato humano, a história andando de acordo com a reação das pessoas no momento. O prazer é estar em volta de um fogo, contando o acontecido para alguém ouvir e depois espalhar lá na frente, da sua maneira, aumentando um ponto.
Mas agora já estou vendo que tem gente transcrevendo alguns causos meus e jogando na rede, do jeitinho mesmo que conto. Outros narrando as histórias, sem revelar de onde vem...
Será que vou ter que gravar?
Aí o senhor ou a senhora vão escutar no sofá da sala em vez de ser embaixo de uma mangueira.
Foi assim que aprendi, largando o pé no riacho.
O que eu faço?
Vou ouvindo...
Escrito por Paulo Freire ?s 21h31
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A MENTIRA TEM PERNA CURTA Meu lema pra 2008: A mentira tem perna curta!
Próprio para enfrentar estes tempos em que pouco se aprofunda. São tantas informações e possibilidades, que passamos apenas raspando pelo alvo.
Explico, como diz o Luiz Fernando Guimarães, ouve-se “som” e não música. O caboclo chega em casa, liga o carro, entra no bar e ouve “som”.
Aí, minha senhora, tanto faz o que está tocando. Ah, e quanto mais músicas armazenadas: 300, 500, melhor, mesmo que não se escute uma de verdade.
Vai ouvindo, ir ao cinema é a mesma coisa que ligar o DVD em casa. Atende-se o telefone, conversa com o vizinho, leva a criança que não vai entender nada, come e bebe. E o filme passando...
Tudo é feito ao mesmo tempo: computador, “som”, livro, celular tocando. Abrindo janelas sem parar, Sem se dar conta de olhar os detalhes de uma paisagem.
Não estou reclamando. Repito: a mentira tem perna curta. A pessoa pode falar as manchetes, mas experimenta pedir para explicar o que está acontecendo. O sujeito pode dizer que tem toda a coleção de qualquer artista de verdade, mas pede para ele cantar...
Ah, e sem falar nos tipos que inventam a própria história. Parados dentro de um quarto, dizem que viajaram e pesquisaram e conheceram, só por terem esbarrado algum dia em qualquer lugar. Quem não se aprofunda, acredita nesse tipo de mentiroso.
Assim, em 2008 vamos segurar firme o porrete e o teclado.
Se valer a pena, descemos o cacete.
Senão é só “deletar” o mentiroso, e não perder tempo com bobagem.
Feliz ano novo!
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