PÉ NA TÁBUA, VIOLEIRO!
Andei lidando com um bocado de assunto ultimamente. Tomei banho de mar em Maceió, toquei na praça - com o Trio - em Penápolis/SP, comi um tropeiro com costela no Mercado de Montes Claros, me apresentei na UFMG - em BH - fazendo a festa com um bocado de aluno e professor. E ainda junto com minha querida amiga e cantora Mônica Salmaso tocamos umas modas no programa do Boldrin. E ele mais a gente! Agora parto para uma nova empreitada em Santa Catarina, do projeto baú de Histórias, tá tudo aqui na agenda do site http://paulofreirevioleiro.com.br/shows.htm Essa corrida toda é porque estamos na época de apertar o passo que o final do ano vem ligeiro. E tempo de ano novo a gente fica em casa com as crias, planejando o continuamento. Só que agora vai ser um pouco diferente, que o Voa Viola 2 está chegando! Sim siô, sim siora, fiquem atentos no www.voaviola.com.br que as novidades vão todas despencar por aqui. Um abraço grande a todos, que nosso movimento violeiro tá de uma beleza absurda.
Escrito por Paulo Freire ?s 19h25
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DITADURA DO OLHO Já disse e repito: sou fã do Tom Zé. Outro dia ouvi ele discorrer sobre a “ditadura do olho”, que as pessoas dão cada vez menos valor aos nossos sentidos. Importa apenas o que é visto. Em relação à música também acontece isso. Nego precisa assistir um monte de pirotecnia no palco. Não basta concentrar a atenção no que é ouvido. Por isso a música mudou. E aqui também dou meu pitaco. É justamente por causa da ditadura do olho que pouquíssimos conseguem descobrir saci, curupira, mula sem cabeça e boi tatá. Tem coisa que para se enxergar é preciso sentir. É preciso ter as portas escancaradas. Ver que algumas folhas da mesma bananeira mexem, enquanto as outras ficam paradas, o sabiá ta cantando triste e o azulado do céu cobre de carinho o acontecido. Criança tem muito mais facilidade em ver o que percebe. Temos que aprender a criança pra poder voltar a enxergar.
Escrito por Paulo Freire ?s 12h16
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BAÚ 2011 É o sexto ano que participo do projeto Baú de Histórias, do SESC Santa Catarina. Rodei por quinze cidades, agora em agosto, realizando duas apresentações por dia. Em novembro farei outras quinze. Cada giro deste é um aprendizado fundamental. Tem como foco a tradição oral, as histórias contadas que atravessam as gerações, de pai para filho, mestre para discípulo. No meu caso, conduzidas pela viola e pelos mitos brasileiros. Apresentamos em escolas municipais e estaduais, salões comunitários, teatros, cidades grandes, pequenas, bairros afastados, muitas vezes para comunidades que nunca tiveram acesso a estas manifestações. Com toda a estrutura que o SESC oferece. A magia destas histórias é que quando começamos a contar, por mais que tenhamos ensaiado ela, incorporado as imagens, sempre é uma novidade o desenrolar devido à atenção de quem escuta e suas reações. O encanto da palavra falada. A celebração do encontro do ser humano, o causo que vem do começo dos tempos guiado por aquele exato momento, olho no olho. A cumplicidade dos adultos e o abraço que recebemos das crianças, ao final de cada apresentação, é a garantia do serviço feito e o estímulo para continuar na estrada.
Escrito por Paulo Freire ?s 11h53
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DIAMANTE ABSURDO Vai ouvindo... o cerrado da Chapada dos Veadeiros queimou um bocado no ano passado. Passeando por ali, é incrível o verde que invade o queimado, brotando da terra a força da vida. Quando grava-se um disco a tendência é pedir para o técnico comprimir tudo, porque assim é possível escutar sem problema no celular, no carro, enquanto assiste televisão. Comprime as ondas e fica tudo sem dinâmica, o som chapado. É não dar mais espaço para a sutileza. Tá bom, quer ver beleza? Aqui nesse link tem um diamante bruto: http://www.youtube.com/watch?v=5OvUW-bUQeQ Dércio Marques mostrou para mim. O Encontro de Culturas em São Jorge, na Chapada, reunindo os violeiros, foi uma beleza que se podia agarrar com a mão. Bão absurdo. Anteontem teve show com Maurício Pereira e Wandi Doratiotto, em Araraquara. Diversão e um tanto de caminho aberto. Alegria absurda. Encontrar os amigos que conquistamos pela vida e fazer arte junto é o que dá sustança para o continuamento. Estou com uma viola nova, feita pelo Vergílio. Brigamos no começo, um quis falar mais alto que o outro. Larguei mão. Mas um canto de sereia brotou dentro do estojo. Abri e foi uma maravilha. Teve tão bom que nem a violinha acostumada ficou com ciúmes. A voz das crianças brincando é como o verde invadindo o cerrado. Vou ouvindo...
Escrito por Paulo Freire ?s 18h49
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UNA E SAHY Acabo de chegar do litoral Norte de São Paulo. De tudo que já rodei me parece que lá é minha praia. Cresci por ali, onde o meu “Jurupari” começa e termina. Visitei as ilhas em frente ao Sahy, e no dia seguinte subi o Rio Una, de caiaque. Um assunto me chamou a atenção: em cima da costeira, na Ilha, olhando para o alto mar, reparei numa grande pedra e tive a sensação: já vi isso em algum lugar. Pronto, o Teiú do Jarau, a história da salamandra, a lagarta, que era uma linda mulher por quem um padre se apaixonou. A população vendo o pecado resolveu matar o padre. Então a mulher se transforma em uma salamandra enorme e entra com o padre para dentro da terra, formando uma grande montanha. Está lá no Rio Grande do Sul, para quem quiser ver, o Jarau. A pedra que vi na ilha do Sahy decerto era uma grande lagarta decepada. Por que será que virou pedra? Depois, no sertão do Una, de caiaque, vi um galho de árvore avançando para dentro do rio, com uma coroa de bromélias. Evidente que aquilo não era um simples galho, mas um jacaré que se transformou em árvore. Para quem ele foi prometido com esta coroa tão linda na cabeça? Aí tive mais uma questão: em que época os homens pararam de enxergar estas manifestações da natureza? Por que foram procurar sempre uma explicação científica que coubesse em seu conhecimento deixando de atentar na grandiosidade dos segredos? Estou em casa, guiando minha tarde pelo cantar do galo e este belo sol de inverno.
Escrito por Paulo Freire ?s 16h24
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JOÃO E O FACE Foi ontem mesmo. Conversava animadamente com amigos por email. Depois coloquei em dia o facebook. Me veio uma música do João Bosco na cabeça. Já tava no computador, fui no you tube. Pensava: mas será que é bom daquele jeito mesmo? Faz tempo que não ouço... Vi e ouvi. Realmente é muuuito bom. O violão, o molho, o canto, a composição. Mais email, mais facebook. Voltei no João. Já tava brigando com amigo no email e aceitando como amigo quem eu nunca vi no face. E o João Bosco com toda aquela complexidade. Pensei: não é possível que uma pessoa tenha feito estas músicas e toque desse jeito ficando horas na frente do computador. Corri pra viola. Fechei minha conta no facebook. Parei de fofocar com amigo. Tô na viola desde ontem. Me divertindo um bocado. Voltei aqui pra escrever. O que será que aconteceu?
Escrito por Paulo Freire ?s 16h47
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NAVEGANTES DAS GERAIS Outro dia mesmo estive com Zé Mulato e Cassiano. Ver show dos dois é diversão garantida, mais um bocado de beleza e outro tanto de acontecimento extraordinário. Antes da apresentação, participaram de um programa de televisão. A repórter foi chegando, e o Zé Mulato, com sua alegria, disse: - Mas é só moça bonita que pode trabalhar de repórter na televisão? E ela respondeu, sisuda: - Eu sou competente. Silêncio geral. Constrangimento de todos. Inclusive da equipe da jornalista. Ela entrevista o Zé Mulato. Aí vira-se para o Cassiano e pergunta: - E você, o que é? E ele responde, na lata: - Gente. A repórter não acredita na resposta: - O quê? - Eu sou gente, ué. A senhora não é competente, não percebeu? Um sorriso se espalhou entre todos. A repórter já não era mais bonita nem competente. Só não posso dizer o nome da cidade pra não atrapalhar a lição dada e muito bem recebida. Navegantes das Gerais.
Escrito por Paulo Freire ?s 10h25
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UM SOCÓ SÓ Estou fazendo alguns trabalhos no SESC Bertioga. O senhor ou a senhora conhecem lá? É muito bom. Tocar para as pessoas que estão em férias, descansando, é uma alegria. Todos entregues à diversão. O mar fica bem em frente. A última vez que fui, na descida da serra, vi que o negócio prometia. Uma chuvarada só, o tempo querendo esfriar. Cheguei no final da tarde, tirei a viola do carro com o guarda-chuva bem aberto. Entrei no camarim, guardei a viola, pus um short e fui pra praia. Só eu na praia. Um pouco de dor de cabeça da viagem. Anoitecia e a chuva não dava sinal de parar. Corri um pouco na areia para espantar o frio e preparar o espírito. Então mirei a passada e fui direto pro mergulho. Dei umas braçadas, furei as ondas. Quando sosseguei, a cabeça não doía mais. Abracei mais um pouco o mar e olhei no horizonte. Tudo nublado, chuva em todo canto. Mata Atlântica com neblina e escura pela noite que chegava. O horizonte com vários tons de cinza. Eu sozinho no mar. É muito socó prum socó só coçar. Muito mar, céu, neblina, onda, noite, chuva, praia, areia, ninguém. Era muito ninguém. Com água pela cintura eu girava com a mão espalhada sobre as ondas. Via como estamos sozinhos. Pequenos no meio desse mundo todo. E ainda havia o céu, por cima do nublado que eu enxergava. Pensei na grande onda no Japão. Estamos indefesos. Podemos até às vezes achar que não, mas temos que aproveitar ligeiro o que está sendo oferecido pela natureza. Quando o frio começou a apertar, voltei, tomei um banho quente e deitei um pouco para colocar o sentimento no lugar. Ah, o show à noite? Foi divertido demais. Cantamos juntos, rimos. De vez em quando olhava pela janela e via que a chuva continuava. Ainda tinha o calor do mar espalhado pelo corpo. O que movia minha emoção era o olhar socó só também do público. Entregues ao mar.
Escrito por Paulo Freire ?s 15h34
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GIL E BETHÂNIA O artista está cada vez mais conhecendo todas as etapas de produção. Isso virou quase uma questão de sobrevivência. Por isso o movimento dos independentes ficou tão forte. Eram as gravadoras que resolviam quem poderia fazer um disco. Hoje em dia, para o mal e para o bem (e isso é uma outra história), qualquer um pode gravar o seu trabalho. Por conta disso, de ter que conhecer os caminhos para se colocar no mercado, o artista aprendeu a fazer contas, desenvolver projetos, conhecer as leis. Claro que isso aborrece e até atrapalha porque acabamos perdendo muito tempo com algo que não sabemos fazer direito. Mas acaba sendo importante conhecermos todas as etapas de produção. Tudo isso para falar de dois artistas que admiro muito. Primeiro o Gil. Ele é de uma importância vital para a música brasileira. Por ser um artista à moda antiga, talvez não saiba que enquanto era ministro da cultura lançou um CD solo que era vendido a R$ 50 nas lojas. Qual a justificativa para se vender um CD a este preço? Sei que ele não tem controle, a gravadora e o mercado que ditam o preço final. Mas e o exemplo? O ministro lançar um CD a este preço é o mesmo que dizer: não sejam bobos, pirateiem! Mais uma. Acabaram de relançar o incrível CD 2222. É um trabalho histórico. O violão do Gil, o conceito do disco é tudo muito impressionante. O CD vem com um grande encarte. Textos ótimos. Mas nenhuma menção sobre os músicos que participam. Quando o LP foi lançado eles tinham destaque, porque no processo de gravação fica claro que os músicos foram vitais para a força do disco. O Gil não sabia que seria relançado o CD, não conferiu o encarte? Então entrega totalmente a sua obra para alguém fazer o que quiser? O segundo assunto está sendo muito comentado. Porque, repito, os artistas estão fazendo planilhas, escrevendo projetos e reunindo-se com empresários. Bethânia teve um projeto de R$ 1,35 milhão aprovado para fazer um blog. A imprensa disse que o cachê dela seria de R$ 600 mil. Qual é o parâmetro para se avaliar estes orçamentos? Daqui para a frente os artistas devem se guiar por estes valores? Claro que a Bethânia tem uma história importante e poderosa. Mas se o MINC aprovou este valor vamos todos correr para as planilhas e ajustar os nossos orçamentos? Isso é irreal. É muito dinheiro. Qual a contrapartida social que um projeto desses oferece para se pagar tanto? E o empresário que apostar neste projeto será que vai pensar na importância artística para 365 postagens de um só artista num blog? Quantos trabalhos igualmente importantes poderiam ser desenvolvidos com esta verba? Não é mais correto apoiar uma maior variedade artística e cultural? Não estou aqui em meu bloguinho para crucificar ninguém. Mas como sou um artista independente e faço força para me inteirar de todo processo, pela admiração que tenho pelo Gil e a Bethânia, torço para que eles não saibam nada disso e só estejam fazendo seu trabalho à moda antiga.
Escrito por Paulo Freire ?s 16h36
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A HUMANIDADE E O CHATO DE GALOCHA Outro dia, depois de um show, conheci um moço que havia morado na Argélia. Engatilhamos uma prosa boa, porque na década de 80 passei uma semana tocando na capital, Argel, com um grupo de samba. Conversa vai, conversa vem, esse moço afirmou que por não conhecermos os outros países, acabamos fazendo julgamento errado das pessoas. Por exemplo, por conta dos constantes conflitos, vende-se uma imagem preconceituosa dos muçulmanos, sempre calcada na violência. Ele contou que é um povo acolhedor, carinhoso e que tem uma saudade danada da época que viveu lá com sua família. A lembrança que tenho de minha estadia também é muito boa. Depois fui dar uma caminhada e pensei como o tal do ser humano é pretensioso. Nós somos uma coisa só, uma espécie bem metida a besta. Nos julgamos muito diferentes dos outros povos e outras culturas. Mas somos feitos da mesma matéria, temos a mesma cacholinha, instinto, mau humor, coragem e covardia. Se alguém tem uma característica mais nobre decerto é porque algo vai compensar para o outro lado. Se tivéssemos esta consciência da igualdade e soubéssemos cultivar as boas diferenças que possuímos, sem ficar “se achando”, decerto conheceríamos melhor outros povos. É evidente que só com um bocado de humildade podemos aproveitar as diferentes culturas que nos cercam e buscar mais felicidade nesse mundão. Agora, se eu, o senhor ou a senhora, ficarmos só em casa, na frente do computador e da TV, vendo as notícias que alguém preparou, sem meter o pé na lama e entrar para tomar um chá na casa das pessoas, temos uma grande chance de nos transformar em um bando de chatos de galocha a reclamar da humanidade. Em tempo, esta pode ser uma nova disciplina de nosso curso: A Humanidade e o Chato de Galocha.
Escrito por Paulo Freire ?s 11h56
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RIACHO ELETRÔNICO Estava brincando em um riozinho com meus filhos. Enquanto ajeitava uns pedaços de bambu pelejando pra fazer um barquinho, eles ficaram andando pra cima e pra baixo. De repente meu filho chama para ver o acontecido. Subimos um pouco o rio e ele mostrou: - Olha, pai, a gente joga esse pauzinho aqui e ele vai descendo. No primeiro nível está tudo tranquilo, mas quando chega naquelas pedras começa a girar, girar... passou! Foi pro segundo nível. Agora a gente ajuda fazendo onda com a mão para o pauzinho não encalhar na terra e poder passar para o terceiro nível... E ficamos por ali “jogando” no riacho. Claro, tá tudo dominado. Misturou a brincadeira no rio com algum jogo eletrônico. Mas ainda bem que a gente consegue incorporar uma coisa na outra e continuar agitando a imaginação. Ou alguém acha que é possível impedir qualquer criança de jogar vídeo game, mexer em computador e esse bocado de etc que não para de aparecer? Temos que acompanhar, criar umas regras de uso e oferecer divertidas opções para outras brincadeiras. Aí que a porca torce o rabo. E que nossa faculdade aparece. Acompanhar criança mexendo com pauzinho no rio é uma grande aula. Não é reconhecida pelo MEC, pai nenhum vai ganhar salário por isso. Tem gente que acredita que ficar largado com o filho é perda de tempo, podia estar trabalhando, acha que esta atividade não tem sentido e é melhor largar o filho numa aula de informática e depois buscar. Que está fazendo a sua parte na educação das crianças. E ainda estufa o peito e conta para as crianças: “ah, no meu tempo sim que era divertido. A gente brincava na rua e tal e coisa e maripoisa”. Depois reclama do mundo... Aqui em casa tinha duas cachorras prenhes. A primeira deu 7 filhotes. A segunda está quase parindo. Vou lá ver o que é essa gemedeira que estou escutando. Abraço de criança nocês tudo!
Escrito por Paulo Freire ?s 11h40
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200 Só quem já ficou bestando, largado num riacho, sabe o valor que isso tem. É preciso cuidar da educação de nossas crianças. Isso é certo, então devemos contrapor o simples vazio ao talento em fazer 200 coisas ao mesmo tempo que os meninos têm hoje em dia. Explico: o vazio criativo. Parar tudo e ficar embaixo da mangueira. Catar uma fruta e descascar na mão e no dente. Deitar na água corrente de um riacho raso e ficar sentindo o mordisco de um peixinho. E prestar atenção em 200 nadas ao mesmo tempo. Um tempo atrás, aqui mesmo no blog, eu lancei a Faculdade do Ócio Criativo. Apareceram várias cadeiras e professores. Acho que devo insistir na idéia. Serviço de violeiro...
Escrito por Paulo Freire ?s 11h01
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PAPO-CABEÇA VIOLEIRO Concentração. Essa vem sendo uma das maiores virtudes a se buscar. Quem não tem trabalho fixo, não pode repetir tarefa e precisa estar sempre inventando, carece de muita concentração. É tanta gente e notícia chamando na internet, a luz na janela de casa, descobrir qual o barulho da rua, que fica cada vez mais difícil ler um parágrafo. A cabeça não para no assunto. Falar nisso, tiraram o acento deste “para”, gostava dele... pronto desconcentrei e mudei de assunto. E não foi nem um parágrafo, mas uma simples frase. Tem alguém ainda aí? No tempo da pena, da caneta tinteiro, não podia errar, senão tinha que escrever tudo de novo. Do começo. Agora apaga, recorta, cola. É bom para quem faz, mas é bom para quem recebe? Dormir no assunto é importante. Dormir concentrado. Uma janela. Um eu. Papo-cabeça-violeiro...
Escrito por Paulo Freire ?s 11h09
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SÓ MAIS UMA... Só mais esta semana. Amanhã vou pra praia. Com o tanto de mergulho e sol, jogar bola com as crianças e andar na mata Atlântica, vou voltar tinindo. Andei dando uns pontapés iniciais por aqui. Projeto chique mas ainda no sigilo (pra dar certo!). Abraço violeiro procês tudo, que eu vou descendo rio abaixo, sinhá...
Escrito por Paulo Freire ?s 18h03
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VOCÊS TAMBÉM? 2011. Tá todo mundo pronto? Tá todo mundo dentro? Minha impressão é que ainda não entendi a novidade. A mesa que eu trabalho está a maior bagunça, esperando alguma vontade. Os projetos que estão rondando na cabeça, me sacudindo à noite e tirando o sono, continuam circulando. Projetos de alegria! Limpo as calhas de folhas molhadas da chuvarada. Admiro com o cheiro de cachorro molhado em minhas cachorras molhadas. Toco viola na dúvida se vou atrás da novidade ou do cimento. Abro três livros ao mesmo tempo e não resolvo. Janeiro. A passarinhada acompanha a trama do Quinteto Vento em Madeira aqui na vitrola. Bonito absurdo. Será que todo mundo tá assim?
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